domingo, 23 de novembro de 2008
Noites mal dormidas e bem vividas"PARTE II
Claro, vejo o caminho do bar, é para lá que eu vou. "Uma vodka, por favor." Seguro aquele copo gelado com o carinho de quem segura um filho. O primeiro gole tem gosto de acetona. Bebida de boate nunca é confiável.....viro o copo. "Ei. Mais um". Escuro, a música é tão alta que consigo sentir a batida expulsar o ar dos meus pulmões. As pessoas se movimentam em um grupo coordenado que vai pra lá e pra cá... com variações que acompanham o ritmo da música. Entro na multidão e sou guiada pelos corpos que me cercam. Viro outra dose.
Claro, vejo um menino que me olha e dá a língua. Sorrio. Escuro. Alguém ,molhado de suor, encosta em mim, "Eca! Que nojo." Saio dalí. Vou ao banheiro. Entro em uma cabine e vejo um pedaço de calça jeans saindo da cabine ao lado. Fico em silêncio e uns barulhos estranhos começam..."Tem alguém cultivando o amor." Morro de inveja.
Claro. Saindo do banheiro o vejo. Ele está, de novo, olhando pra mim. Agora sou eu quem mostra a língua. Ele ri. Escuro, alguém segura a minha mão. Uma mão enorme, quente e macia.
-Nossa, que mão gelada!
-É, acabei de lavar as mãos..... Quem é?
-Pergunta errada.
-Uhmm começou mal, hein amigão. Joguinho não é pra mim.
Claro. "Puta que pariu, como ele é gato!"
-Oi, prazer. Mariana. É assim que a gente se apresenta.
-Uhmmm, irônica. Bom sinal. Prazer, Mariana. Eu sou o Raul.
Ele tinha o sorriso irônico mais lindo que eu já vi. Era alto,mas não muito. Parecia ser magro, mas tinha o braço definido. O cabelo era castanho claro e liso, caia sobre as orelhas e fazia uma voltinha linda. ELE ERA L-I-N-D-O!
Escuro, ele chega perto e começa a falar:
-Eu nunca tinha te visto. O que você faz?
-Acabei de me formar em relações públicas. E você? Também nunca te vi....
- Acabei de chegar da Itália. Tava fazendo uma pós em marketing. Aqui tá muito barulho, vamos pra varnada?
Claro. Eu vou, claro. Raul era super articulado. O tipo de homem que consegue ser divertido sem fazer piadinha idiota. Bebemos e rimos. Bebemos e rimos. Bebemos. Ele para de falar e me olha. Minha barriga congela. Tenho a péssima mania de prender a respiração nessas horas.... o que me faz ver que o meu batimento é quase tão rápido e forte quanto a merda da batida da música da pista de dança. "É a batida da música." Penso, tentando enganar a mim mesma. Ele abre o mesmo sorriso irônico que me fez querer ser simpática. Puxa a minha mão e voltamos para a pista de dança.
Escuro, ele me abraça. "Sim, ele é gostoso! E cheiroso" Ele segura a minha cabeça com as duas mãos, beija a minha bochecha e vai se aproximando da minha boca. PUTA QUE PARIU! "Ele beija tãaaaaao bem!" Danço, bebo e rio a noite inteira. São seis horas da manhã e eu estou MORTA de fome. Penso em uma picanha sangrando e quilos de comida. As pessoas falam comigo e eu começo a imaginá-las recitando receitas de bolo de chocolate, tamanha a minha fome.
-To com fome. Quero comer. Você fica ou também quer comer?
-Quero comer! Tom morto de fome.
Abro um sorriso. "Ele não poderia ter respondido melhor." Saímos e vamos em direção ao estacionamento.
-Vamos no meu carro. Depois eu te deixo aqui.
-Não, vamos em dois.
-Não, Mariana, eu to tranquilo pra dirigir. Depois que você comer, você dirige.
- Que iiiiiiiiiisso, tô óóótchima!
Ele me puxa pelo braço e vamos, os dois, no carro dele. Ele liga o carro e começa a tocar Jamiroquai. "Tá, agora ele vai me falar que sabe cozinhar. É isso?!" Spacecowboy começa e a gente berra, jurando ter afinação.
-Posso olhar seu iPod?
-Toma.
Zero7, St.Germain, Guns, Baden Powell..... "Esse cara é bom demais pra ser verdade. Ele teve ter um pinto de 5 cm! Não é possível...."
Drive-thru do Mc Donald's:
-1 promoção do duplo quarteirão, um nuggets de seis e uma torta de maçã....
-Não, eu quero uma coca zero e um Cheddar.
-Eu tava falando que eu queria, vou falar o seu agora.
"Hahahaha, FODEU ele é a minha alma gêmea."
Pegamos a comida e vamos para a beira do lago. 6:30, o sol começa a nascer. É a única vez na vida que me recordo apreciar o horário de verão.
Eu enfio duas batatas no nariz e ponho a língua pra fora. Raul, surpreendentemente, pega uma batata do meu nariz com a boca e come. Eu como a outra em solidariedade ao gesto nobre....
Ele me olha da mesma maneira que me olhou na varanda. Meu corpo responde do mesmo jeito. Agora, sóbria penso "cacete, não faz merda e vem com "preciso dizer que te amo"". E ele não faz, graças a Deus. Continua olhando e ri. "Você é doidinha, sabia? Eu gosto."
7:30, estou sóbria, alimentada e feliz. Levanto e puxo Raul. "Vamos?" "Vamos!"
O caminho da volta é tão divertido e cheio de música boa como os flashes que lembro do caminho de ida. Chegamos no meu carro. Abro a porta, olho para ele. Tento imitar o seu sorriso irônico. Ele me puxa, me beija. Pega uma caneta e anota um número no meu braço.
- Se acontecer alguma coisa no seu caminho de volta ou quiser ouvir música boa, liga pra esse número.
-Eu piloto, relaxa. Mas, se um dia, eu quiser doar algumas músicas boas do meu iPod, pode deixar que eu ligo.
-Hahahhaha to dizendo.....DOIDINHA! Foi uma prazer te conhecer.
Olho de novo. Sorrio de novo. Pego a caneta e escrevo RAUL PASTEL em cima do número. Beijo o canto da boca dele e saio.
Abro a porta do meu carro. Ele sai do carro dele e vem em direção ao meu.
-Meu dá o seu, caso eu sinta vontade de comer babata do nariz de novo.
Sorrio. Olho pra ele da mesma maneira que ele me olhou na varanda e penso: " não estraga tudo e diz que precisa dizer que ama ele!" E solto:
-Pode ficar tranquilo. Amanha a noite eu vou perder meu iPod e vou querer músicas boas.
Ele ri e me abraça. Me dá um beijo e caminha de volta pro carro.
Eu volto pra casa....
CONTINUA...
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
A rush of blood to the head.
Certa ocasião, um amigo me disse acreditar que o amor só dá certo quando “a relação é leve”. Eu concordei. Mesmo sabendo que ele, um dos meus amigos mais despirocados, nunca atingira tal plenitude. Sofremos sabendo que não deveríamos. Damos a cara à tapa e nos jogamos de peito aberto quando sentimos aquele ALGO que nos cega.
Só de estarmos cegos já deveríamos saber que coisa boa não pode vir. Ou vem, mas por tempo determinado. Além de cegos, ficamos surdos, mudos e autistas. “Aquela menina é a maior piranha!” e você enxerga a Madre Teresa. “Ele só quer te comer.” E você que é impossível alguém tão lindo e com cara de bonzinho ser capaz de uma coisa dessas... AMIGÃO, ela é uma piranha e muito provavelmente vai pisar em você. E sim, ele só quer te comer. A menos que você também só queira isso, pule fora.
As minhas paixões vêm de braços dados a música. Aqueeeeeela música que tocou naqueeeeeela hora, que te lembra aqueeeeeela pessoa. Sabe? Então essa música aí. Somente duas vezes me apaixonei sem ter música para embalar. Ao contrário, tudo fazia silêncio quando os sujeitos surgiam. Eu era cega, muda, autista, surda e com frio na barriga. Pronto, ME F***!
Veja bem, acredito no amor e acho tudo LINDO. Acho, inclusive, que para o amor dar certo (além de a relação ser leve hahaha) deve haver antes uma paixão daquelas que te dá um bandão e um chute na costela. Que faz você acreditar que o seu (a) amado (a) é a pessoa mais incrível do mundo. ÚNICA. Depois de comer um quilo de sal juntos você ainda admira e ama? Então aponta pra fé e casa!
Mas não é desse AMOR bonitinho que dá certo (e existe) que estou falando. É de paixão, angústia, o motivo pelo qual você começou a beber ou parou de comer. Ou come um boi de uma vez. É o que te desequilibra, o que te abalada. É aquele tapa na cara quando você está feliz na balada e ela chega, sempre linda, sempre simpática. Sua vontade é de vê-la cair do salto....de nariz no chão que é pra ver se quebra. A paixão nessa hora já virou ódio. E você odeia o mundo por ter se apaixonado por aquela piranha. Viu? Te falei que ela ia pisar em você...
“Eu quero a sorte de um amor tranqüilo...” Mentira! Eu quero a sorte de um amor de verdade. Sabe aquele tipo de amor que te dá um bandão e um chute na costela? Que você come um quilo de sal e ainda admira e ama? Esse. Pode vir Gael Garcia.
domingo, 16 de novembro de 2008
Com limão, sem açúcar. Por favor.
Ácido, corrosivo, escorrendo devagar... "É bom?"
Segundo, terceiro, quarto gole.... frio no estômago. Língua dormente. Rosto dormente. Eu danço. "Ta bom?"
Mais um. E mais uns.... Eu pulo. Escuro. Eu seguro... "Ta bom assim?"
Viro sem sentir mais o gosto. Minha mão gelada. Meu rosto gelado. Minha boca gelada. E quente. E quente.... de repente.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Entre armas e rosas



quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Luciana Gimenez escreve roteiro

quarta-feira, 12 de novembro de 2008
A galera erra!

terça-feira, 11 de novembro de 2008
Ah, o amor!
Elisa, volta e meia, faz uns comentários esquisitos sobre Jonas. "Ele tem umas manias ridículas!" , "A família dele é um saco." (...) Renata percebia a insatisfação da amiga em relação ao namorado, mas preferiu não se meter na história......
Certa ocasião, Marcelo e Renata resolveram fazer uma reuniãozinha em casa. Tudo no estilo leve de sempre: pessoas dançando em cima da mesa simulando um strip, a música empolgante e alta acordando as três casas vizinhas, gente caindo repetidas vezes no chão..... Enfim, tudo corria de maneira tranquila, até que Jonas resolve "apimentar" a festa.....

O rapaz, que já tinha tomado todas, estava disposto a relizar suas fantasias mais profundas. Afinal de contas, seu amigo Bob vivia repetindo que "essa vida é uma só!". Para ficar no grau, virou mais uma tequila. Rebolada vai-rebolada vem, Jonas puxa Renata para dançar. No meio da dança, ele diz que quer conversar com ela. Renata, acreditando que o melhor amigo do marido quer conversar sobre a relação com sua amiga, vai despreocupada.
Os dois vão para a parte exterior, perto da piscina. Jonas parece tenso...segura a mão de Renata. "Por favor, não pense que eu sou um cretino". E dá um passo a frente. Renata entendeu a situação. Ela e Jonas se olharam por alguns segundos e nesse pequeno espaço de tempo milhões de coisas passaram pela cabeça de Renata. "Puta merda, e agora?" " Será que tem alguém vendo a gente?" "E a Elisa?" .... Renata, que também tinha bebido mais que o usual, entregou-se a essa nova e (jurava ela a Deus) única aventura. Afinal de contas, Melissa que é mulher de Bob, vive dizendo que essa vida é uma só.
Os dois vão para o banheiro perto da piscina e trancam a porta. O coração de Renata parece sair pela boca. Ela não se sente assim desde a época do seu namoro com Marcelo. "Marcelo....era tão bom..." - a pegação começa. Jonas começa a beijar o pescoço de Renata, que acha a sensação estranha. A mão de Jonas, que estava puxando seu cabelo começa a descer....braço, cintura, quadril....ele aperta e a empurra contra a parede. Renata sente um "volume" e percebe que ali acampariam uma dúzia de escoteiros... Conforme a coisa anda Renata percebe que tudo que Jonas faz é imediatamente comparado ao Marcelo. Ela só pensa em Marcelo. "PARA TUDO, JONAS!" Os dois voltam para festa.
Renata encontra Marcelo e o beija como se tivesse viajado seis meses e voltado naquele momento. Jonas encontra Elisa dançando até o chão e entra na dança. A festa continua.... e acaba.
No dia seguinte Renata sente um sentimento de culpa enorme. Flashes da cena do banheiro aparecem tão pavorosamente como a lembrança dos peitos da Derci Gonçalves no desfile do carnaval. Ela resolve acabar com o tormento. Liga para Elisa e a convida para um almoço pós festa. Jonas também está convidado, claro. Os quatro sentam-se perto da piscina enquanto o almoço fica pronto. Jonas olha tenso para Renata. "Será que vai fuder a porra toda?" Ela, respira fundo e resolve expor a situação. Jonas, congela. " iiiiiiiiii cacete!" Marcelo olha para Jonas com cara de cão chupando limão. "Como você fez isso comigo?" Jonas, surpreendentemente,responde "Ela entendeu tudo errado!" e continua "Eu tinha bebido e resolvi contar para Renata sobre a gente, pedi para ela não achar que eu era um cretino. Afinal de contas, eu estou com você MUITO antes dela aparecer! Mas ela veio me agarrando, me puxou para o banheiro....eu achei que ela já tinha sacado tudo e que ia te chamar para gente fazer uma sacanagem a três no banheiro. Eu fui! Fiquei esperando você entrar e nada..... imaginei que ela era você em cada segundo...mas aí do nada ela pediu para parar tudo!" Renata e Elisa ficam paralisadas. Marcelo e Jonas eram um casal há anos! "Como eu nunca percebi?", refletia Renata. "Eu sempre achei ele meio esquisito na cama mesmo.." pensava Elisa....
Marcelo começou a explicar que amava Renata, apesar de também amar Jonas. E sempre conviveu bem com isso, pq certa vez, quando entrou em crise, seu amigo Bob lhe ensinou que essa vida é uma só e que não devemos sofrer por algo que não conseguimos resolver. "Aventure-se! Viva os dois amores!" E ele seguiu....
CONTINUA....
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
A revolta dos "cachos" PARTE I

Um blog que costumo ler, certa vez definiu "cacho" como "repolhinhos". Morri de rir da história do infeliz "repolhinho"e vi que independente do nome que levam, os pobrezinhos vivem em maioria. Se você ainda não foi um, é porque não descobriu. E se ainda não teve um, em algum momento breve (ou não), terá. Cachos são aqueles seres que JAMAIS terão a sua total atenção e, principalmente, exclusividade. São aqueles que quebram um galho quando você está bêbado ou carente, aqueles que levam END quando você está com um futuro pretendente....Já deu para entender.
Até aí, tudo bem. Todo mundo um dia já "cacheou" ou "cacheará". O problema e razão do post é quando acontece a REVOLTA DOS CACHOS. Por alguma razão, científicamente não comprovada, os cachos têm problema no que diz respeito a trabalhar o desapego. O que me parece paradoxal, uma vez que ele nunca teve a sua devota atenção. E sabe disso.
Esse tipo de coisa acontece quando você, cidadão consciente, está em um momento frágil da vida. Seja porque uma menininha resistiu ao seu charme naquele dia que você se olhou no espelho e jurou ser a coisinha mais linda desse mundo, ou por estar enfrentando aquele terceiro dia de TPM, momento delicado na vida, quando até o "Boa noite"da Fátima Bernardes é motivo para choro. É nesse tipo de ocasião que você dá bola para um cacho.... e é a oportunidade do cacho magoado se vingar. Você dá bola e a raquetada vem NA CARA. O ser que uma vez foi pisado, se sente no direito ( e dever) de jogar na cara toda a baboseira que o infeliz guardou pra si e agora quer exteriorizar. Ai que preguiça, você reflete. Respira, fica em silêncio para o cacho magoado achar que está sendo ouvido e termina com a única frase que parece ser a solução para o problema: "Eu sempre fui sincera. E você, pra mim, é problema seu."
A reflexão que proponho aqui é a seguinte: A VIDA É UMA SÓ. LOGO, TRABALHO O DESAPEGO. E, até que alguém volte do outro lado para me provar o contrário, continuarei vivendo assim. Sem essa mediocridade de aceitar se envolver sem estar COMPLETAMENTE retardado por alguém. Só vale a pena se for assim.
Cachos, não sofram ou se revoltem. Vocês encontrarão alguém que queira colher os frutos do seu amor. É só uma questão de fé e tempo. (Escutar "Heartbreaker" da Mariah Carey, não resolverá seus problemas).


