terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Au delà

Je vis, je meurs
Je vis, je pleure

Je vis de la mer
Je vis de la terre
Je le dis aux fleurs
Au lac de vapeur

Au ciel
De toutes les couleurs
Ton soleil
Réchauffe mon coeur
Au ciel
De toutes les couleurs
Ton soleil
Réchauffe mon cœur

Je vis, j'ai peur
Je crie de douleurs
En secret je m'enterre
Je cherche la chaleur
Je m'enfuis dans les airs
Au delà de la terre

Ton soleil
Réchauffe mon coeur

domingo, 21 de dezembro de 2008

Tríplice Aliança

Estela se olha no espelho. Sua felicidade é digna de uma boa gargalhada, mas o frio na barriga permite, apenas, um sorriso reflexivo. Júlia, sua melhor amiga (praticamente sua alma gêmea) arruma uma mecha de cabelo que cai do coque feito no topo da cabeça. Uma ajuda a outra, uma deseja a outra a maior felicidade do mundo. Os olhos são os indicadores das emoções. Nenhuma palavra havia sido dita naquele dia. Era o dia do casamento de Estela e também era o dia do casamento de Júlia.

As duas estão prontas. Levantam-se. Uma respirada PROFUNDA. A partir dali, alívio e expectativa. Elas se abraçam e caminham de mãos dadas. Estela e Júlia entram no mesmo carro, seguem em direção a mesma igreja. O motorista olha para as duas sem entender quem é a noiva. Elas percebem a dúvida e não se importam. Afinal, esse tipo de situação era habitual em suas vidas.

As portas da igreja se abrem. As duas entram sincronizando passos. Não há nenhum pai, avô ou irmão para guiá-las. A segurança de uma está na mão da outra. Pelo caminho, rostos de amigos queridos. Os mais queridos estão, obviamente, no altar à espera das duas. Não se trata de um casamento duplo. As duas estão a caminho da mesma comunhão. No altar, Fábio olha para as noivas emocionado. Seu sonho de criança está prestes a se realizar. Ele vai casar com as duas mulheres da sua vida...

1990, Fábio tem 11 anos e se prepara para a volta às aulas. Acordou meia hora antes de o despertador tocar. Estava com uma agitação atípica. Há dias tinha o mesmo sonho: entrava em uma sala e duas meninas puxavam seus braços. Uma de cada lado, lhe partindo ao meio.

Havia tempo suficiente para tomar banho, se arrumar, tomar café e ir para a escola na sua bicicleta verde e azul. Ligou o chuveiro e encostou a cabeça na parede. A água escorrendo, quente, ardia como arranhões nas costas banhados com álcool. A pele estava toda vermelha. Ficou assim alguns minutos. O sonho que se repetia não saia da sua cabeça. Espelhos e vidros embaçados...

7:30 da manhã Estela desperta de um pesadelo aos pulos! Olha o relógio e vê que está atrasada para ir ao colégio novo. Ela tinha acabado de se mudar do Rio para Brasília e hoje era o seu primeiro dia de aula. A sua sorte era morar no mesmo quarteirão do novo local de estudos. Escovou os dentes, vestiu-se, pegou uma banana e foi caminhando até o prédio. Ainda perdida, procurava a sua sala. Viu uma menina loira e cheia de livros. "É uma nerd, deve saber me informar onde fica a turma C."

-Ei, por favor, você sabe onde fica a turma C?
-Sei, é a minha turma. Você é aluna nova?
-Aham. Acabei de chegar do Rio...
-Ah! Minha família toda é de lá! Só eu que nasci aqui. Eu A-M-O o Rio.
-Lá é ótimo mesmo. Mas meus pais vieram trabalhar aqui, então.....

As duas foram caminhando até a sala e no caminho descobriram que tinham várias coisas em comum... Sentaram-se uma ao lado da outra. Estela e Júlia adoravam as mesmas bandas. As duas tinham parentes no Rio e apartamentos no mesmo bairro. Gostavam de tomar sol, de sorvete de pistache... a amizade nascia naquele instante.

7:22, Fábio sai de casa montado em sua bicicleta. O clima ainda está chuvoso e a pista molhada. O sol começa a sair e ele fecha os olhos por um instante. O vento seca o seu cabelo molhado. Respira fundo e sente o cheiro da grama cortada. Ele pedala do começo da Asa Sul até o começo do Lago Sul. Adora ir para o colégio pedalando. Chega, prende a bicicleta a uma corrente que está na grade ao lado do portão da entrada. Dá bom dia para o SEU ANTÔNIO e pede que ele olhe a bicicleta. Anda rumo à sala. Ele está na turma C...

O sinal toca e ele apressa o passo a caminho da sala. Todos os alunos já haviam sentando. Ele era o último a chegar. O único lugar vago é o atrás de uma menina loira que já tinha sido sua colega no ano passado. Ele caminha em direção a ela sem saber se fala "oi" ou senta calado. Ela abaixa a cabeça. Ele senta calado. Durante o primeiro horário a loira à frente e a menina ao lado trocam bilhetinhos e riem. "Será que os nossos gostam também combinam com homens?"
"Com esse eu casava."
"Eu também."

O próximo horário era no laboratório e trios deveriam ser formados. Estela era mais comunicativa que Júlia, logo, convidou Fábio para juntar-se a elas. Ele aceitou o convite. A partir dali os dias se passaram e os três se entendiam cada vez melhor. Fábio, apesar da pouca idade, era muito articulado com as mulheres e se divertia conversando com as duas durante as aulas e os recreios.

Dias, meses, anos.... os três eram inseparáveis. Fábio aprendeu a cozinhar e fazia de Estela e Júlia suas principais cobaias. O lado cultural de Estela decidia os programas dos finais de semana e a paixão de Júlia por viagens decidia o destino de cada Réveillon. Um completava o outro. Um apoiava o outro. Anos se passaram sem nenhum romance, até que em um réveillon em Londres...

Londres, 31 de Dezembro de 2008. O frio estava absurdo e todos se arrumavam para a virada do ano. Fábio fazia uma receita de camarões que era a preferida de Estela e uma sobremesa de amoras, preferida de Júlia. -Nessas viagens de final de ano o destino escolhido tinha que ter uma cozinha digna das receitas inspiradas pela viagem. Essa era a única condição imposta por Fábio.- Estela colou um CD do Jamie Cullum e subiu para se arrumar. Um casal de amigos deles também estava em Londres e os encontraria em breve. Júlia estava saindo do banho. Naquele ano ela havia sido promovida a chefe do gabinete que trabalhava e por conta disso não comia mais com a mesma freqüência. Perdeu 5 Kg e estava GOS-TO-SA. Estela a viu se trocando e admirou o corpo à sua frente. Ela estava realmente, deslumbrante.

Todos prontos, o casal de amigos chega. Uma viuvinha é aberta. Champagne era uma paixão em comum aos três. Uma, duas, três garrafas. O jantar é servido. Fábio supera todas as ceias anteriores. Júlia e Estela o ajudam a servir os convidados e retirar os pratos. Os cinco seguem para festa em frente ao palácio, onde acontece a contagem. Cada um segura uma garrafa. Fábio, tem duas. Todos bêbados e congelados dançam ao som do Police. Esse era o show antes da contagem. Júlia reparava que Estela a olhava de uma maneira diferente, engraçada....o mesmo olhar vinha de Fábio. Ele olhava engraçado para as duas....

10, 9,8,7,6,5,4,3.... Fábio, Júlia e Estela dão as mãos. 2, uuuuuuum! Eles apertam as mãos e se beijam. Os três. Na boca. Isso nunca tinha acontecido. Não era um ritual normal de passagem de ano. Não para eles. Acabam o beijo e se olham. Estela e Júlia riem. Fábio ainda está em choque. Estela percebe o estado do amigo e o beija novamente. Júlia abraça os dois. Riem e dão outro beijo triplo. Um beija a outra que beija a outra, que beija o outro. E assim acontece a viagem inteira....

Na volta para Brasília o pacto é de silêncio. Aquilo, se fosse acontecer de novo, aconteceria somente em viagens. Era o combinado. Os três chegam à cidade e pegam táxis diferentes. Cada um para a sua casa. Antes de dormir o trio reflete sobre o ocorrido. O que seria dalí pra frente? Surpreendentemente tinha sido tão bom. Pra qual lugar seria a próxima viagem?

No dia seguinte ninguém se ligou. Ninguém se encontrou. Júlia havia voltado para a correria de seu trabalho. Estela estava procurando um novo apartamento e Fábio estava com o trabalho do escritório acumulado. Assim se seguem os dias da semana, até que no sábado à noite Estela manda uma mensagem para os outros dois: Reunião da cúpula aqui em casa? Fábio cozinha, eu escolho o vinho e a Júlia escolhe a música.

Mais uma noite, comendo bem, bebendo bem, rindo e dançando. O ocorrido em Londres ainda não havia sido mencionado. Coldplay começa a tocar e Fábio puxa Júlia para dançar. Os dois se abraçam e dançam, cantando a música de olhos fechados. Ela começa a passar a mão na nuca de Fábio. Pega nos cabelos e desliza sobre o pescoço. Ele a beija. Estela fica olhando. Os dois abrem os olhos e se separam. Esse não era o combinado. A amizade estava fodida? Já que vai pro inferno é pra abraçar o capeta? Namorar a três? Será que ela quer? Será que ele quer? Será que ela quer? Os três se olharam apavorados. Aquilo poderia ser a glória ou o fracasso de uma relação de anos.
Fábio: -Gente, vamos conversar?
Júlia: -Por favor, né? Cacete.
Estela: -Cacete. Voador.

-Então, é o seguinte. Eu acho isso lindo! Se vocês não alucinarem, eu topo tentar.
- Ô Fábio, não é assim não. Tentar o que? Ta loke? E a nossa família?
-Foda-se a minha família. Foda-se o resto todo. Eu acho que eu sempre quis isso, na verdade. Pensei nisso o resto da viagem inteira. Você vai me dizer que não acha que um é o equilíbrio do outro aqui? E tem mais, eu vejo o jeito que vocês se olham. Isso não é uma viagem tarada da minha cabeça.
-Eu acho o seguinte. Não precisa ser uma coisa pública. Não precisa ser tão sério. Pode ser leve, trabalhando o desapego. Eu também pensei o resto da viagem todo.
- Eu preciso de um tempo pra pensar. Quando eu souber ligo pra vocês.


Os dois vão embora. Estela, Fábio e Júlia não conseguem dormir. Estela se lembra de quando mudou para Brasília e foi para o primeiro dia de aula. Lembra que os três serem amigos partiu de uma iniciativa dela. Lembra da vez que viu Júlia sair do banho e sentiu uma admiração diferente, das vezes que tinha dividido a cama com Fábio e como aquilo a fazia bem.... Não era possível uma vida sem os dois. Não teria graça.

Júlia passou a noite refletindo sobre as mesmas coisas. As viagens programadas, as risadas dadas, os beijos trocados.... o carinho que sentia por Fábio e Estela. A cumplicidade entre os dois... o desejo que sempre havia sido reprimido.

Fábio pensava em todas putarias que os três poderiam fazer. No jeito doce de Júlia e na alegria de Estela. Uma completava a outra. Os três entravam em equilíbrio. Pensou como seria o futuro a três e viu que, na verdade, já viviam uma relação assim desde sempre. A única diferença era colocar o sexo em jogo. Um jogo a três. Para ele estava ótimo!

No dia seguinte os três se encontraram para almoçar. Estela havia escolhido o restaurante preferido de Fábio. Os três sentam-se e conversaram sobre qualquer assunto que não tivesse ligação com o ocorrido na noite anterior. Fábio esperava o pronunciamento de Estela e Júlia fazia o mesmo. Horas, pratos e bebidas. Estela propõe que o fim do almoço seja na casa dela. Ela tinha se arriscado a fazer a torta de amora preferida de Júlia.

Champagne e torta de amora. Champagne e torta de amora. Champagne. Champagne e coldplay. Eu os declaro mulher, marido e mulher.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

CEO para estagiária

Vai! Menina. Vomita.
Vomita como quem expulsa todos os demonios e anjos.
Como quem descarta seu EU mais profundo.

Vai e acaba com toda q merda que você fez e bebeu.
Vai estagiar nos botecos da vida....
Vomita e se livra as rodopiadas e as batidas de música que não saem da sua cabeça.
Faz essa lavagem.

Agora dorme. E vê se aprende.
Estagiária....

domingo, 14 de dezembro de 2008

Assim

Arroz, pra mim, é risoto.

Feijão, é de corda.



A minha cerveja é a água

e o meu vinho tem a alma viva.

Que dança na minha boca a cada gole.



Quando olho pra frente me vejo.

Tudo que fica pra trás, esqueço.



Um beijo, um queijo, um queixo.....eu perco. Eu deixo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Morissette

Do you derive joy when someone else succeeds?
Do you not play dirty when engaged in competition?
Do you have a big intellectual capacity but know
that it alone does not equate wisdom?
Do you see everything as an illusion?
But enjoy it even though you are not of it?
Are you both masculine and feminine? Politically aware?
And dont believe in capital punishment?

These are 21 things that I want in a lover
Not necessarily needs but qualities that I prefer

Do you derive joy from diving in and seeing that
loving someone can actually feel like freedom?
Are you funny? Like adventure? And have many formed opinions?

These are 21 things that I want in a lover
Not necessarily needs but qualities that I prefer
I figure I can describe it since I have a choice in the matter
These are 21 things I choose to choose in a lover

Im in no hurry I could wait forever
Im in no rush cuz I like being solo
There are no worries and certainly no pressure in the meantime
Ill live like theres no tomorrow

Are you uninhibited in bed? more than three times a week?
Up for being experimental? are you athletic?
Are you thriving in a job that helps your brother? Are you not addicted?

...curious and communicative...

Rock band só fica atrás do ar-condicionado.





A segunda melhor coisa inventada nesses últimos tempos, o rock band é, também, um "jogo" terapêutico.
Estava eu, gripada em dia de chuva, lamentando estar com um estilete na garganta, que me cortava toda vez que eu engolia. Fui para casa de um amigo que ganhou, por esses dias, o tal jogo.

É INCRÍVEL! Se você gosta de rock, as listas de música, a bateria e a guitarra vão te dar um norte sobre o que pedir nesse natal. PEARL JAM, NIRVANA, METALICA, ALLANIS, THE KILLERS, OFFSPRING, THE CULT, TALKING HEADS e por aí vai... Algumas músicas depois e eu nem lembrava mais do vírus que habitava o meu ser.

Recomendo a todos que ainda não conhecem. E se tiverem, me chamem pra tocar bateria!


domingo, 7 de dezembro de 2008

Pro dia nascer feliz

Sophia desfrutava a liberdade há pouco tempo. Cumpriu pena durante dois anos. Seu crime: tentativa de homicídio. Homícidio dela mesma. Mas aí não seria suicídio? Pois é, vai saber....é cada absurdo nessa vida.

Sophia conquistou a liberdade por apresentar bom comportamento. E por ter prestado socorro a vítima, depois de ver a m&%$* feita. Se salvou do destino que ela mesma tinha escolhido pra sí. Complexo, porém factual.

Cada dia após a pena tinha mais e mais vida. A poucos a vontade de sorrir e viver (viver de verdade) crescia. Solphia estava solta. E leve. E livre... Sophia era o tipo de pessoa que não se importava em experimentar e errar. Pelo contrário, experimentava tudo o que despertasse a sua curiosidade. Música nova, comida desconhecida, pessoas diferentes, filmes, livros, exposições.... Fugia do comum? Sophia adorava!

Certa ocasião, Sophia e suas amigas haviam combinado de ir a um show. Sua amiga, Clara estava prestes a mudar de cidade. O que fez daquela semana a mais longa (e intensa) de suas vidas. Chegaram todas juntas ao local. Descobriram que eram dois shows: um de uma banda desconhecida e o outro era um show do Cazuza. Sophia a-do-rou a notícia, ela adorava as músicas do Cazuza.

Foram todas para o bar. Uma dose de tequila para todo mundo. Aquele gosto cítrico e salgado não agradava Sophia. "Uma dose de vodka, por favor". Agora sim, ela se sentia mais satisfeita. Começou o primeiro show e todo mundo dançava feliz. Surpreendentemente uma banda chamada "Nos cafundó do brejo é que nós solta o som" tinha um som, realmente, bom. A roda só tinha meninas. A maioria, bonita. Todas dançando, rindo e bebendo. Era de se esperar que os rapazes tentassem a sorte. Sophia não estava interessada. O foco da noite era a diversão entre amigas e apenas isso. Múscia após música, dança após dança, acabou o primeiro show.

Mais uma vez pro bar e mais bebida. Começa, então o segundo show. Um rapaz de cabelos cacheados, calça jeans e regata preta começa a tocar guitarra. Luz sobre ele. O mesmo acontece com cada integrante da banda. A luz é fraca e focada. Dava pra ver apenas algumas partes de roupas e músculos e instrumentos.... Alguém entra correndo no palco, todas as luzes acendem, ofuscando a visão de Sophia. Ela fecha os olhos e abre. Ele está lá. Lindo. Cazuza, cantando e dançando. Bete balanço, Faz parte do meu show, Exagerado.....a cada música Sophia ficava mais encantada.....

Pro dia nascer feliz. A bateria rápida, as pessoas pulando, cazuza cantando....Sophia respira e vai até a beirada do palco. Visto de perto ele parecia ainda mais bonito e louco. Ele percebe que Sophia está olhando e sorri. Pronto! Sophia estava determinada a conquistá-lo. Mais uns segundos e Cazuza chega mais à frente do palco. Sophia poderia tocá-lo. E ela o toca. Ela puxa o seu cadarço. Não muito contente em ter o tênis desamarrado, ele se afasta. Ela, volta para as amigas. "Se nao der em nada, pelo menos foi divertido." A noite acaba no Subway, só as amigas, depois casa.

Alguns dias se passam e as amigas reúnem-se, novamente. Aquele era o último dia de Clara na cidade. O drink da noite é uma sugestão do garçon que serve a mesa: mojito. Um, dois, três mojitos para cada uma e elas começam a brincar de "Eu nunca". Sophia, Clara e Roberta bebem um copo a cada rodada. Elas realmente gostam de experimentar coisas novas e de repetir as interessantes. Cinco rodadas depois e as meninas da mesa já estavam paquerando o graçon. Ele era, de fato, uma gracinha. O telefone de Sophia toca, era o Frejat do show daquele dia. Ele e Sophia eram amigos e ele a convidou para outro show que eles iriam fazer naquele dia.

Todas chegam ao show, tortas e felizes. Exagero está tocando e elas correm para o meio do povo. Pulos, risos e abraços. Cazuza vê Sophia. Faz parte do meu show começa a tocar e todas viram para o palco. Ele começa a cantar olhando para Sophia....ele desce do palco, tira o sapato do pé direito e caminha em direção a ela. Ele entrega o tênis, ri, dá um beijo em sua bochecha e volta para o palco. Sophia segura o tênis não acreditando no que acabara de acontecer. Ao subir no palco ele a olha mais um vez e pergunta: eu posso contar pra eles?

Cazuza começa a contar que em um show, uma menina doidinha havia desamarrado seu tênis e que alguns amigos em comum disseram que ela tinha achado esnobe a sua reação. Ele não era metido.... Viu, Sophia? O show continuou, as meninas dançaram, beberam e cantaram a noite inteira. Quando o show acabou, o cinderelo foi buscar seu tênis de cristal e o final da história é segredo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Latir? Não!

Seguindo a mesma linha do texto que fala como se portar (e o que NÃO fazer) ao estar acompanhado, o presente texto trata de uma situação nunca antes vivida. Pelo menos, no meio que ando.... O BROTHER LATIR FOI NOVIDADE. Explico.

Noite normal, você sai com uns amigos. O clima está tranquilo....você chega na porta da balada e vê 50 homens para cada mulher. Você pensa: hoje a noite vai ser boa (se você é um dos 50 camaradas da fila, provavelmente estará rezando para que, ao entrar, perceba que os únicos homens da balada eram vocês, da fila, e que na verdade 350 mulheres entraram antes).

A música está boazinha....você vai até o bar e pede uma bebida. A primeira dose de vodka é servida da mesma forma que servem água aos que têm sede. Não cabe mais nada no copo que disfarce o gosto de acetona dos primeiros goles...."bebida de boate é uma coisa tensa em Brasília...". Você bebe metade da vodka e completa com algo que camufle o gosto.

Voltando para a pista de dança você encontra um "amigo de um amigo".... Bonito e com fama de pegar bem. Você mostra a sua simpatia. A conversa se desenvolve bem, rola até um comentário sarcástico aqui, outro ali.... O brother do brother diz que vai pegar uma cerveja e sai dali.
Olhando para os lados a fim de ver o que há de bom você percebe que tem um cara te olhando... ELE, o novo. O erro a ser cometido......

Você ri, ele ri....Você começa a dançar. Depois de um tempo, olha de novo e ele ainda está te olhando. Você ri mais uma vez. Ele vem. O papo não é lá essas coisa....o rapaz é simpático, mas é tímido.... Você resolve conhecê-lo melhor, afinal de contas o desconhecido é, sempre, interessante. O beijo ganha a mesma nota do papo inicial. Nessa hora você pensa: elaiê, devia ter pego o brother do brother....dizem que ele pega TÃO bem.

Uma música, duas músicas, três músicas..... a pegação está melhorando....vocês conversam um pouco mais e o rapaz começa a parecer realmente interessante. Quando de repente..... O BROTHER LATE. Ele te abraça por trás e dá uma rosnada na sua orelha. Por que diabos alguém imita um cachorro no "primeiro encontro"? Você não sabe se ri, se chora, se pede pra sair....
Sem saber o que fazer, você vira e diz:
- O que? Você falou alguma coisa?
-Não, não....Tava beijando o seu pescoço.

"Ahaaaaaaaaaaam, beijando o meu pescoço uma pinóia!" Você pensa dando aquele sorrisinho irônico.

Mais algumas músicas e, mais uma vez, o "latidinho" ao pé do ouvido..... E assim, acontecem mais duas vezes....até que você vira e diz:
-Eu tenho que ir embora.....amanhã acordo cedo....Tá tarde..... Foi um prazer viu?
-Não, peraí.....me dá seu telefone.

A sua vontade nessa hora é dar o telefone de algum petshop, mas a memória não lhe permite tal coisa.....Você dá o número de uma amiga e reza para ele não fazer aquele teste do "vou te ligar agora, pra você gravar o meu."

Logo, caro amigo, se você compartilha dessa fantasia canina, SEGURE o seu lado selvagem e NÃO VÁ LATIR no ouvido alheio nos primeiros encontros.