domingo, 30 de agosto de 2009

Mastigue uma lâmpada

Eu exteriorizo tudo aquilo que você guarda a sete chaves
Entro em algum estado à flor da pele para desabrochar tudo aquilo que te torna pedra
Você abafa, eu grito
Você se fecha, eu chuto a tua porta
Entro e jogo luz naquilo que você esconde
Vejo cor no seu escuro
E sem conseguir abrir essa sua cabeça fechada, afirmo:
Aquilo que você acredita que sabe é a sua maior burrice.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Perpétuos Final

Do Gates para a casa dele, uma cobertura no Sudoeste.
Na sala, porta- retratos de um casal aparentemente feliz.
Achei melhor não perguntar nada. Provavelmente eu e ele estávamos ali por motivos semelhantes.

Ele abre um rosé e serve duas taças. Vamos para sala e o DVD da Sade é o escolhido.
Ele se levanta e estende a mão, me chamando pra dançar. Eu queimo todas as largadas e já começo a beijar seu pescoço. Passo a mão pelas costas e vou para parte da frente da calça.
Tiro o cinto dele e começo a abrir a calça. Ele segura meu pulso com força. Leva meus dois braços para minhas costas e prende com uma das mãos. A outra mão aperta a minha cintura e sobe até a minha nuca. Ele puxa meu cabelo e morde a minha boca. Olha pra mim e sorri.

Solto meus braços e tiro a blusa dele. Beijo ombro, peito, barriga e desço... abro a calça e tiro a cueca....

Depois de horas bem vividas estamos os dois exaustos e satisfeitos. Lembro da vida como ela é e resolvo ir para casa. Visto meu vestido já com uma ponta de arrependimento. Entro no carro e volto dirigindo. Só consigo pensar no que tinha acabado de acontecer. E no que aconteceria em diante. "Falo pra Ele ou não?", "Melhor falar, claro." "Melhor não. Não significou nada.", "Ele é tão carinhoso, me ama tanto.".

Chego em casa e estaciono com o coração aos pulos. Coloco a chave na fechadura e entro com silêncio para não acordá-lo. Queria ter pelo menos mais algumas horas para pôr a cabeça no lugar. Tiro a sandália para não fazer barulho, passo na cozinha e bebo um copo d'água. Vejo duas taças de champagne e uma garrafa pela metade. Caminho em direção ao quarto.

Vejo o filho da puta comendo a minha prima na nossa cama.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Perpétuos Parte II

-Oi, você tá bem?

-Quebrei duas costelas no tombo, mas bem. Você tava me seguindo?

-Tava pensando no que falar pra você. Achei que você fosse sair correndo de novo.

-Eu quase corri mesmo. Achei que você era um assaltante.

-Eu corria atrás de um hoje, quando te derrubei. Desculpa mais uma vez, viu?

-Conseguiu recuperar os óculos?

-Não, perdi o pivete de vista quando caí. Você ta indo pra onde?

-Pra falar a verdade, me perdi. Eu ia pra um restaurante perto do hotel, mas dei uma volta com medo de você me seguindo.

-Sabe o nome do restaurante? Eu te guio...


De lá pra cá fica fácil de imaginar. Ele era lindo. Era divertido. Gostava de várias coisas em comum. A minha viagem de carnaval se estendeu por mais três semanas. A idéia de sair do Rio e deixá-lo era algo horroroso. Morando em cidades separadas, nos víamos aos finais de semana. Tudo andava muito bem. A saudade era constante, mas matá-la a cada cinco dias era divertido. Seis meses se passaram e ele conseguiu uma transferência para Brasília. Decidimos que seria melhor morarmos cada um em sua casa no início. Ele alugou uma casa no mesmo bairro que o meu e passávamos cada vez mais tempo juntos. Conviver com ele era uma realidade tão distante da relatada por todas as minhas amigas que dividiam a casa com o namorado/noivo/marido. Eu me divertia TANTO quando ele estava por perto e sentia sua falta quando ele ia embora. Pela primeira vez na vida a idéia de dormir e acordar com a mesma pessoa ao lado, todos os dias, não me parecia um coisa esquisita. Era bom até. Decidimos morar juntos.


Eu lembro de fazer carinho no cabelo dele até ele dormir e achá-lo a coisa mais linda do mundo. Eu gostava do cheiro do travesseiro dele, do cheiro da pele. Eu mostrava pra ele tudo que achava divertido. Se alguma coisa no trabalho me stressava, a idéia de chegar e vê-lo rindo alegrava o meu dia. Com ele eu iria até ver o jogo do Flamengo, no Maracanã, num calor de 50 graus, no dia mais lotado. E iria feliz. Ele era o homem mais gostoso, cheiroso, bonito e divertido que existia. Todos os outros perderam o rosto depois que eu o conheci. Eu acho que aquilo era amor, não sei.


No carnaval, dois anos mais tarde, viajamos para o Rio. No primeiro dia de carnaval, estávamos pulando e cantando ao som do monobloco. Um menino veio correndo e pegou meus óculos. Ele saiu correndo atrás do menino. Metros a frente ele caiu. Eu saí correndo para salvá-lo. Ele, no chão gemia de dor. Se virou sorrindo e me entregou meus óculos. Em uma das hastes tinha um anel preso. Ele se levantou, tirou a camiseta e estava escrito no peito "casa comigo?" A minha reação (não me pergunte o porquê) foi sair correndo. E música ficou baixa, o fundo embaçado... eu corri! Corri muito. Pulei no mar gelado. Tentei, de todas as formas, me acalmar. Eu deveria estar radiante, não deveria? Mas, por alguma razão, eu estava apavorada. Casar é sempre um kit com filhos, responsabilidades, perda do tempo livre...


Eu voltei para o hotel. Ele estava me esperando no quarto. Eu me desculpei pela surtada. E aceitei o pedido. Voltamos para casa e o "PARA TODO O SEMPRE" pesava sobre mim. -lo dormir passou a me irritar, porque o ronco dele me acordaria até o fim da minha vida. A idéia de chegar em casa e ouvir reclamações sobre o trabalho me também passou a me irritar, então passei a voltar cada vez mais tarde do trabalho. Com isso, raramente jantávamos juntos. Ao ver que eu estava distante, ele tentava me agradar cada vez mais. Eu recebia flores no trabalho com bilhetinhos, depois do banho ele se oferecia para fazer massagem. Aos finais de semana, eu acordava com café na cama. Eu acho que o que ele sentia era amor, eu não sei...


Minhas amigas percebiam o mal- humor constante e volta e meia me chamavam para sair, dançar e relaxar. Resolvi aceitar o convite de uma sexta-feira que Ele tinha acordado esquisito. Talvez outros ares renovassem o fôlego. Depois do trabalho dei uma corridinha na academia e me arrumei por lá mesmo. Segui para o bar onde elas estavam.
Confesso que dois drinks depois estava me sentindo bem mais relaxada e pela primeira vez em alguns meses ria sem preocupações. Do bar fomos para o Gates relembrar os tempos de música boa. Da entrada para o bar, do bar para pista. Aquela era uma noite de fila na porta. Há muito não freqüentava a casa. Algumas músicas depois vi que um homem lindo estava entrando na pista desacompanhado. Eu e todas as meninas acompanhamos sua trajetória para ver o destino do rapaz. Um grupo de amigos. Ele, certamente, estava livre.

Continuei dançando sem me preocupar com o grupo masculino. Eu tinha, sim, um noivo. Se admirar não arrancava pedaço, paquerar era um pouco demais. Como eu era a única na roda desinteressada no outro grupo, fui pro bar pegar mais bebida. Espero o garçon trazer os copos quando ele encosta-se ao balcão. Olhar pro lado para ver que ele era ainda mais bonito de perco foi inevitável. Ele sorri e começamos a bater um papo. Descobrimos que já havíamos estudado juntos nos tempos do ensino médio e que estávamos no Rio no mesmo carnaval.

Imediatamente Ele me vem à cabeça. Era o carnaval que eu havia o conhecido. Um monte de sensações há muito tão distante voltara de uma só vez. Nem me lembrava mais como era conversar com alguém sentindo tanto frio na barriga. Aquilo era novo, era proibido e poderia ser secreto. Voltamos para pista de dança os dois.

CONTINUA EM BREVE

sábado, 15 de agosto de 2009

Perpétuos

Eu o conheci no primeiro dia de um carnaval que resolvi passar no Rio...

A promessa para Yemanjá na virada de "ter mais tempo para os bons momentos da vida" era cumprida a cada dia. E, disposta a aproveitar cada minuto da solteirice saudável dos vintes anos, fiz as malas e fui com um grupo de amigas abrir os braços para o Cristo.

Chegamos ao Galeão no final da tarde. Deixei as malas no hotel e corri para praia -o sol, se escondendo atrás do Vidigal, é o tipo de paisagem que você quer colocar em um frontlight de tão bonito- pedi um coco gelado e sentei na areia. Fiquei ali, pelo menos, duas horas. Já não era mais possível diferenciar as estrelas das luzes da favela. O Rio era, todo, um mapa celeste ligado no 220. Subi para encontrar as meninas. Uma garrafa e meia de vodka já tinha evaporado. O clima já estava "alegrinho". Bebi a metade restante para subir o degrau e ficar alta como elas.


O início da noite seria na casa de Renato, um amigo de Beatriz. Depois disso, só Deus saberia o que seria de nossas vidas....


Uma cobertura no prédio que avô dele construiu, em Ipanema. O lavabo do apartamento era do tamanho do nosso quarto, para 4 pessoas. As pessoas não seguravam taças. Eram garrafas, entregues acompanhadas de um beijo a cada convidado que chegava. Felizmente, na mesa de centro, havia uma quantidade de garrafinhas d'água equivalente as garrafas de champagne distribuídas. Fiz uma troca para garantir a sobrevivência do dia seguinte. Morrer no primeiro dia de Cidade Maravilhosa, não! O resto da noite rendeu risadas e dança esquisita. Quando estávamos as quatro reunidas SEMPRE inventávamos danças esquisitas. E o pior (ou melhor), não havia a menor vergonha em tornar público os passos descompassados.

O dia seguinte começou, para mim, com o barulho de uma mensagem no meu celular. Era Fábio, um amigo do Renato que conheci na noite anterior. "O sol saiu brilhando pra você". Aí, que preguiça.... Levanto. Vejo o estado das meninas e agradeço a Yemanjá a água que bebi ontem entre uma garrafa e outra.... Resolvo descer, beber uma água de coco e dar uma corridinha, dependendo do calor, uma caminhada....

Na volta da corrida quem eu encontro na frente do hotel? Fábio! Ele está fantasiado e me chama para um carnavaleco de rua, que sempre acontece por ali. Subo, convido as meninas e, fantasiadas e alegres, vamos cantar as marchinhas e cheirar lança perfume como os tempos áureos dos carnavais de verdade. Aqueles que a sua avó, provavelmente, foi. Entre um pierrot e outro vejo uns carnavalescos apresentáveis, bem bonitinhos. Mas nenhum era aqueeeele gato que faz você mostrar o seu lado simpático e gentil. Continuo pulando e cantando atrás do monobloco. CATAPUUUUUUUUUUUUUFT! (amou a sonoplastia?) Sou atropelada por um boi! Só pode ser! Caio de cara no chão. Levanto o rosto e vejo que tem alguém caído ao meu lado. Ele se levanta e me pega no colo.

- Ta viva?

- Duvido, mas acho que sim. Você me atropelou! Me coloca no chão!

- Eu tava correndo atrás de um mané que pegou meus óculos. Desculpa. Machucou muito?

Eu não conseguia saber de fato. Estava anestesiada ainda pelo lança....

- Não, tô bem. Talvez sem um dente, mas eu posso fingir que faz parte da minha fantasia.


Ele riu e passou a mão na minha testa para tirar a marca da sujeira que estava na rua. Eu senti um frio na barriga. Sabe aquelas cenas de filme que a música abaixa, o fundo fica embaçado e você paralisa, com cara de bocó? Eu estava nessa desgraça de estado de graça. Meus dias de solteirice saudável iriam por água a baixo? Sai correndo! Feito uma maluca. "É por causa do tombo. Calma, é por causa do tombo. Você ficou surda e parcialmente cega por um instante, mas já passou." Fui pra paia dar um mergulho no mar gelado.

Passei o resto do dia pensando na mão dele, vindo em direção a minha testa. Ele sorrindo. A música parando....ele brilhando e eu correndo! Resolvi dar outra corrida. Fui até o Arpoador e vi o pôr-do-sol mais uma vez.

Volto para o hotel e vejo um bilhete em cima do meu travesseiro. "Estamos na casa do Renato e depois vamos pro Zero-zero, quando acabar a maratona, liga no celular da Flávia." Ir à casa do Renato e encontrar o Fábio me deu preguiça. Resolvo tomar banho e comer em algum restaurante ali perto. De banho tomado, decido ir a um restaurantezinho japonês que vi mais cedo.

Vou à pé. Tenho a impressão de ter alguém atrás de mim, paranóica pelas notícias sobre a violência dos cariocas, mudo o caminho. Me perco e dou uma volta enorme. A pessoa ainda anda atrás de mim. Com o coração aos pulos resolvo virar para ver que é.

Era ele, o caminhão que me atropelou de manhã.


CONTINUA EM 24 HORAS.

Romã e Menta

Preciso parar de te ver.
No rosto de cada pessoa que mato. Que erro. Que fujo
Fujo porque te vejo.
Preciso para de te ver.
De sentir a sua mão grande e pesada no meu ombro.
Me puxando. Me chamando. Me manchando. Me machucando.
Preciso parar de te ver.
Mas como me despedir,
se despedir de você é dizer nunca mais a um pedaço de mim?
Meu erro foi ter visto tão de perto.
Quando vi que tanto de mim era seu.
Tentei arrancar e te machuquei.
Era meu! Era eu.... e eu te dei.
Em cada abraço, um pedaço.
Nos seus beijos todo o meu desejo.
Nos meus olhos, só a sua luz.
Só a sua luz. Só a sua.
Então corre e acena. Há tanto na cena.