José, desde moleque, apresentava uma natureza incomum. Era o tipo de criança que morria de rir ao ver seu castelo de areia derreter quando a onda passava. Não se comoveu ao abrir a primeira rã no laboratório de ciências e nem chorava quando caia do skate. José não demonstrava nenhum apego material ou emocional às coisas. Divertia-se com as coisas simples da vida, mas não conseguia se lembrar de nada que o tenha dado frio na barriga ou sensação de medo.
Em seus relacionamentos, José era imparcial a quase tudo. Não era o tipo de cara romântico, mas também não era cafajeste. Respeitava todas as pessoas com quem se relacionava como se respeitasse a si mesmo. Sem a menor paciência para discutir relacionamentos, foram poucas as namoradas de longa data ao seu lado.
Após a conclusão do seu curso de Física na Universidade de Brasília, foi convidado a participar de um grupo de pesquisa do Magdalen College em Oxford, Inglaterra. Chegou em casa e declarou a mudança na mesa do almoço. Seus pais, um casal de diplomatas aposentados, empolgaram-se com a idéia de viajar para visitar o filho em terras distantes de tempos em tempos. José vendeu o carro e alguns pertences e mudou-se para um alojamento de professores perto da universidade onde se reunia o grupo de pesquisadores.
Seus primeiros dias de morador em terras britânicas foram tranqüilos. José dominava perfeitamente a língua local e já havia visitado a Inglaterra três vezes quando mais novo. Fez contato com uns amigos de infância, também filhos de diplomatas, que moravam perto dali. Marcaram de se encontrar em um pub perto de Christchurch College (local que serviu de cenário para filmagens do filme Harry Potter) às oito horas pontualmente. Todos reunidos e devidamente munidos de cerveja colocaram a vida em dia numa conversa que durou horas. Com o pub já batendo o sino da última rodada de bebidas, os comparsas decidiram esticar a conversa em um parque em frente ao alojamento de José.
Eram cinco marmanjos rindo e falando alto. Não demorou muito e a vizinhança de professores deixou claro o incomodo com o barulho. Até um ovo foi atirado por uma professora de literatura grega. Isso só fez José se divertir mais em estar ali.
Na altura da calçada onde estavam havia uma janela que, provavelmente, era a sala de algum alojamento subterrâneo. Escutava-se música saindo da sala, mas as cortinas estavam fechadas. Ele começou a prestar atenção na música e logo reparou que era Chico Buarque. Ficou intrigado em saber quem era o morador daquele alojamento. Alguém ali também conhecia música brasileira. Melhor que isso, conhecia música boa.
Nos dias seguintes José observava a janela para ver se descobria quem morava ali. Durante o dia não havia nenhum sinal de vida. Todas as noites música saía da janela. José passou a sentar-se na calçada para ouvir as músicas que tocavam ali e ficar olhando para o céu. Semanas se passaram e todos as noites José ficava na calçada, olhando para o céu, lendo um livro ou comendo algum sanduíche.
Um dia, estressado com todos os cálculos e reuniões durante a tarde, foi caminhando aliviado para a calçada esperando ouvir uma seleção de músicas boas. A janela estava em silêncio. Ele esperou algum tempo sentado ali em frente e nada. Resolveu tocar a campainha. Nenhuma resposta. Desolado, José voltou para seu apartamento.
(...)em breve.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Acabou-se mudo
Ele era mentiroso.
Mais que isso, ele era um ator com alma de advogado de porta de cadeia.
Era dele a voz que dava forma aos poemas de amor mais profundos.
Mas também era dele a boca que tirava a alma de todas as mulheres que se atrevessem modernas, de todos os homem que adormecessem capachos, de tudo aquilo que não era certo na sua cabeça pequena e quadrada.
Ele era paradoxal.
Mais que isso, ele era um chef com alma surrealista.
Era dele a criação que fazia a minha boca engolir os poemas mais profundos com amor.
Mas também é dele a boca que eu quero socar toda vez que escuto tudo aquilo que não é certo na minha cabeça grande e aberta.
Eu era uma paradoxal mentirosa.
Mais que isso, eu era uma chef com alma de atriz.
Era minha a boca que se calou toda vez que eu quis dar forma as poemas de amor mais profundos ou soltar os palavrões mais cabeludos.
Mas também era minha a mão que quis tirar a alma daquele que se atreveu desafeto.
Era tudo, no fundo, um monte de mentiras paradoxais.
Mais que isso, era tudo ator, chef, puta, advogado e surrealista.
Era uma criação que calou a boca e tirou a alma dos poemas de amor mais profundos.
Fez-se um prato surrealista de duas cabeças sem alma, amor ou poesia.
Mais que isso, ele era um ator com alma de advogado de porta de cadeia.
Era dele a voz que dava forma aos poemas de amor mais profundos.
Mas também era dele a boca que tirava a alma de todas as mulheres que se atrevessem modernas, de todos os homem que adormecessem capachos, de tudo aquilo que não era certo na sua cabeça pequena e quadrada.
Ele era paradoxal.
Mais que isso, ele era um chef com alma surrealista.
Era dele a criação que fazia a minha boca engolir os poemas mais profundos com amor.
Mas também é dele a boca que eu quero socar toda vez que escuto tudo aquilo que não é certo na minha cabeça grande e aberta.
Eu era uma paradoxal mentirosa.
Mais que isso, eu era uma chef com alma de atriz.
Era minha a boca que se calou toda vez que eu quis dar forma as poemas de amor mais profundos ou soltar os palavrões mais cabeludos.
Mas também era minha a mão que quis tirar a alma daquele que se atreveu desafeto.
Era tudo, no fundo, um monte de mentiras paradoxais.
Mais que isso, era tudo ator, chef, puta, advogado e surrealista.
Era uma criação que calou a boca e tirou a alma dos poemas de amor mais profundos.
Fez-se um prato surrealista de duas cabeças sem alma, amor ou poesia.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Segura
Essa gente que gosta de falar de amor e desenhar com
letras os sorrisos estampados pelos rostos nas ruas
Muitas vezes se esquece do ser profundo,
de olhar pra dentro e colocar pra fora o coração que bate
A minha vontade era poder segurá-lo na altura dos seus olhos
Para que você veja que ele bate diferente quando te encontro
Que é preciso segurá-lo forte quando você vem sorrindo
E que a batida some quando você me conta as suas tristezas
Acho que ele dorme quando você se vai.
Porque quando volta é que me lembro dele.
letras os sorrisos estampados pelos rostos nas ruas
Muitas vezes se esquece do ser profundo,
de olhar pra dentro e colocar pra fora o coração que bate
A minha vontade era poder segurá-lo na altura dos seus olhos
Para que você veja que ele bate diferente quando te encontro
Que é preciso segurá-lo forte quando você vem sorrindo
E que a batida some quando você me conta as suas tristezas
Acho que ele dorme quando você se vai.
Porque quando volta é que me lembro dele.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
16 de Setembro
Ela caminhava com a leveza de quem caminha em direção ao mar.
Os passos saiam feito pulos ou dança.
Era tudo tão leve que não haviam marcas na areia.
Percebendo isso, decidiu correr.
Ela não sabia que o tempo que era o senhor daquela leveza.
Quis ir contra ele. Fez um pacto secreto com o profundo.
Para tanta velocidade já não havia mais força
Então, a cada noite, ela roubava um pouco da vida de quem estava ao lado.
Apaixonado, ele entregava seu brilho como um suicida,
que transfere pro outro a sua razão de viver.
Revigorada, ela corria mais.
Já sem seu passos leves, era o coração quem pulava agora.
Sempre querendo sair pela boca. Batendo com a força de quem quer derrubar.
Sumiu no fim da paisagem.
Feito estrela que risca o céu e vai fugindo com seu brilho.
Os passos saiam feito pulos ou dança.
Era tudo tão leve que não haviam marcas na areia.
Percebendo isso, decidiu correr.
Ela não sabia que o tempo que era o senhor daquela leveza.
Quis ir contra ele. Fez um pacto secreto com o profundo.
Para tanta velocidade já não havia mais força
Então, a cada noite, ela roubava um pouco da vida de quem estava ao lado.
Apaixonado, ele entregava seu brilho como um suicida,
que transfere pro outro a sua razão de viver.
Revigorada, ela corria mais.
Já sem seu passos leves, era o coração quem pulava agora.
Sempre querendo sair pela boca. Batendo com a força de quem quer derrubar.
Sumiu no fim da paisagem.
Feito estrela que risca o céu e vai fugindo com seu brilho.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Cada um oferece o coração que tem
O meu samba assim marcava na cadência os seus passos.
O meu sonho se embalava no carinho dos seus braços.
É tanto amor pra pouca vida. E se há de ser amor, que seja um desses que crescem nas letras de Chico, Bethânia e Martin.
Que se aprimora na vivência dos casais da vida toda.
Que me faz feliz quando você vem. Que me fez perder a vontade de ir.
Não quero mais me perder, agora que te encontrei.
Que não seja um amor cor de rosa, que nunca viu um caminho dividido.
Um amor verdadeiro tem os seus desencontros, os buracos no caminho.
Mas mesmo assim segue em diante. Profundo e leve.
Que seja a lembrança boa de uma vida construída de abraços.
Tijolo por tijolo. Um em cima do outro, como nós.
O meu sonho se embalava no carinho dos seus braços.
É tanto amor pra pouca vida. E se há de ser amor, que seja um desses que crescem nas letras de Chico, Bethânia e Martin.
Que se aprimora na vivência dos casais da vida toda.
Que me faz feliz quando você vem. Que me fez perder a vontade de ir.
Não quero mais me perder, agora que te encontrei.
Que não seja um amor cor de rosa, que nunca viu um caminho dividido.
Um amor verdadeiro tem os seus desencontros, os buracos no caminho.
Mas mesmo assim segue em diante. Profundo e leve.
Que seja a lembrança boa de uma vida construída de abraços.
Tijolo por tijolo. Um em cima do outro, como nós.
domingo, 30 de agosto de 2009
Mastigue uma lâmpada
Eu exteriorizo tudo aquilo que você guarda a sete chaves
Entro em algum estado à flor da pele para desabrochar tudo aquilo que te torna pedra
Você abafa, eu grito
Você se fecha, eu chuto a tua porta
Entro e jogo luz naquilo que você esconde
Vejo cor no seu escuro
E sem conseguir abrir essa sua cabeça fechada, afirmo:
Aquilo que você acredita que sabe é a sua maior burrice.
Entro em algum estado à flor da pele para desabrochar tudo aquilo que te torna pedra
Você abafa, eu grito
Você se fecha, eu chuto a tua porta
Entro e jogo luz naquilo que você esconde
Vejo cor no seu escuro
E sem conseguir abrir essa sua cabeça fechada, afirmo:
Aquilo que você acredita que sabe é a sua maior burrice.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Perpétuos Final
Do Gates para a casa dele, uma cobertura no Sudoeste.
Na sala, porta- retratos de um casal aparentemente feliz.
Achei melhor não perguntar nada. Provavelmente eu e ele estávamos ali por motivos semelhantes.
Ele abre um rosé e serve duas taças. Vamos para sala e o DVD da Sade é o escolhido.
Ele se levanta e estende a mão, me chamando pra dançar. Eu queimo todas as largadas e já começo a beijar seu pescoço. Passo a mão pelas costas e vou para parte da frente da calça.
Tiro o cinto dele e começo a abrir a calça. Ele segura meu pulso com força. Leva meus dois braços para minhas costas e prende com uma das mãos. A outra mão aperta a minha cintura e sobe até a minha nuca. Ele puxa meu cabelo e morde a minha boca. Olha pra mim e sorri.
Solto meus braços e tiro a blusa dele. Beijo ombro, peito, barriga e desço... abro a calça e tiro a cueca....
Depois de horas bem vividas estamos os dois exaustos e satisfeitos. Lembro da vida como ela é e resolvo ir para casa. Visto meu vestido já com uma ponta de arrependimento. Entro no carro e volto dirigindo. Só consigo pensar no que tinha acabado de acontecer. E no que aconteceria em diante. "Falo pra Ele ou não?", "Melhor falar, claro." "Melhor não. Não significou nada.", "Ele é tão carinhoso, me ama tanto.".
Chego em casa e estaciono com o coração aos pulos. Coloco a chave na fechadura e entro com silêncio para não acordá-lo. Queria ter pelo menos mais algumas horas para pôr a cabeça no lugar. Tiro a sandália para não fazer barulho, passo na cozinha e bebo um copo d'água. Vejo duas taças de champagne e uma garrafa pela metade. Caminho em direção ao quarto.
Vejo o filho da puta comendo a minha prima na nossa cama.
Na sala, porta- retratos de um casal aparentemente feliz.
Achei melhor não perguntar nada. Provavelmente eu e ele estávamos ali por motivos semelhantes.
Ele abre um rosé e serve duas taças. Vamos para sala e o DVD da Sade é o escolhido.
Ele se levanta e estende a mão, me chamando pra dançar. Eu queimo todas as largadas e já começo a beijar seu pescoço. Passo a mão pelas costas e vou para parte da frente da calça.
Tiro o cinto dele e começo a abrir a calça. Ele segura meu pulso com força. Leva meus dois braços para minhas costas e prende com uma das mãos. A outra mão aperta a minha cintura e sobe até a minha nuca. Ele puxa meu cabelo e morde a minha boca. Olha pra mim e sorri.
Solto meus braços e tiro a blusa dele. Beijo ombro, peito, barriga e desço... abro a calça e tiro a cueca....
Depois de horas bem vividas estamos os dois exaustos e satisfeitos. Lembro da vida como ela é e resolvo ir para casa. Visto meu vestido já com uma ponta de arrependimento. Entro no carro e volto dirigindo. Só consigo pensar no que tinha acabado de acontecer. E no que aconteceria em diante. "Falo pra Ele ou não?", "Melhor falar, claro." "Melhor não. Não significou nada.", "Ele é tão carinhoso, me ama tanto.".
Chego em casa e estaciono com o coração aos pulos. Coloco a chave na fechadura e entro com silêncio para não acordá-lo. Queria ter pelo menos mais algumas horas para pôr a cabeça no lugar. Tiro a sandália para não fazer barulho, passo na cozinha e bebo um copo d'água. Vejo duas taças de champagne e uma garrafa pela metade. Caminho em direção ao quarto.
Vejo o filho da puta comendo a minha prima na nossa cama.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Perpétuos Parte II
-Oi, você tá bem?
-Quebrei duas costelas no tombo, mas tô bem. Você tava me seguindo?
-Tava pensando no que falar pra você. Achei que você fosse sair correndo de novo.
-Eu quase corri mesmo. Achei que você era um assaltante.
-Eu corria atrás de um hoje, quando te derrubei. Desculpa mais uma vez, viu?
-Conseguiu recuperar os óculos?
-Não, perdi o pivete de vista quando caí. Você ta indo pra onde?
-Pra falar a verdade, me perdi. Eu ia pra um restaurante perto do hotel, mas dei uma volta com medo de você me seguindo.
-Sabe o nome do restaurante? Eu te guio...
De lá pra cá fica fácil de imaginar. Ele era lindo. Era divertido. Gostava de várias coisas em comum. A minha viagem de carnaval se estendeu por mais três semanas. A idéia de sair do Rio e deixá-lo era algo horroroso. Morando em cidades separadas, nos víamos aos finais de semana. Tudo andava muito bem. A saudade era constante, mas matá-la a cada cinco dias era divertido. Seis meses se passaram e ele conseguiu uma transferência para Brasília. Decidimos que seria melhor morarmos cada um em sua casa no início. Ele alugou uma casa no mesmo bairro que o meu e passávamos cada vez mais tempo juntos. Conviver com ele era uma realidade tão distante da relatada por todas as minhas amigas que dividiam a casa com o namorado/noivo/marido. Eu me divertia TANTO quando ele estava por perto e sentia sua falta quando ele ia embora. Pela primeira vez na vida a idéia de dormir e acordar com a mesma pessoa ao lado, todos os dias, não me parecia um coisa esquisita. Era bom até. Decidimos morar juntos.
Eu lembro de fazer carinho no cabelo dele até ele dormir e achá-lo a coisa mais linda do mundo. Eu gostava do cheiro do travesseiro dele, do cheiro da pele. Eu mostrava pra ele tudo que achava divertido. Se alguma coisa no trabalho me stressava, a idéia de chegar e vê-lo rindo alegrava o meu dia. Com ele eu iria até ver o jogo do Flamengo, no Maracanã, num calor de 50 graus, no dia mais lotado. E iria feliz. Ele era o homem mais gostoso, cheiroso, bonito e divertido que existia. Todos os outros perderam o rosto depois que eu o conheci. Eu acho que aquilo era amor, não sei.
No carnaval, dois anos mais tarde, viajamos para o Rio. No primeiro dia de carnaval, estávamos pulando e cantando ao som do monobloco. Um menino veio correndo e pegou meus óculos. Ele saiu correndo atrás do menino. Metros a frente ele caiu. Eu saí correndo para salvá-lo. Ele, no chão gemia de dor. Se virou sorrindo e me entregou meus óculos. Em uma das hastes tinha um anel preso. Ele se levantou, tirou a camiseta e estava escrito no peito "casa comigo?" A minha reação (não me pergunte o porquê) foi sair correndo. E música ficou baixa, o fundo embaçado... eu corri! Corri muito. Pulei no mar gelado. Tentei, de todas as formas, me acalmar. Eu deveria estar radiante, não deveria? Mas, por alguma razão, eu estava apavorada. Casar é sempre um kit com filhos, responsabilidades, perda do tempo livre...
Eu voltei para o hotel. Ele estava me esperando no quarto. Eu me desculpei pela surtada. E aceitei o pedido. Voltamos para casa e o "PARA TODO O SEMPRE" pesava sobre mim. Vê-lo dormir passou a me irritar, porque o ronco dele me acordaria até o fim da minha vida. A idéia de chegar em casa e ouvir reclamações sobre o trabalho me também passou a me irritar, então passei a voltar cada vez mais tarde do trabalho. Com isso, raramente jantávamos juntos. Ao ver que eu estava distante, ele tentava me agradar cada vez mais. Eu recebia flores no trabalho com bilhetinhos, depois do banho ele se oferecia para fazer massagem. Aos finais de semana, eu acordava com café na cama. Eu acho que o que ele sentia era amor, eu não sei...
Minhas amigas percebiam o mal- humor constante e volta e meia me chamavam para sair, dançar e relaxar. Resolvi aceitar o convite de uma sexta-feira que Ele tinha acordado esquisito. Talvez outros ares renovassem o fôlego. Depois do trabalho dei uma corridinha na academia e me arrumei por lá mesmo. Segui para o bar onde elas estavam.
Confesso que dois drinks depois estava me sentindo bem mais relaxada e pela primeira vez em alguns meses ria sem preocupações. Do bar fomos para o Gates relembrar os tempos de música boa. Da entrada para o bar, do bar para pista. Aquela era uma noite de fila na porta. Há muito não freqüentava a casa. Algumas músicas depois vi que um homem lindo estava entrando na pista desacompanhado. Eu e todas as meninas acompanhamos sua trajetória para ver o destino do rapaz. Um grupo de amigos. Ele, certamente, estava livre.
Continuei dançando sem me preocupar com o grupo masculino. Eu tinha, sim, um noivo. Se admirar não arrancava pedaço, paquerar era um pouco demais. Como eu era a única na roda desinteressada no outro grupo, fui pro bar pegar mais bebida. Espero o garçon trazer os copos quando ele encosta-se ao balcão. Olhar pro lado para ver que ele era ainda mais bonito de perco foi inevitável. Ele sorri e começamos a bater um papo. Descobrimos que já havíamos estudado juntos nos tempos do ensino médio e que estávamos no Rio no mesmo carnaval.
Imediatamente Ele me vem à cabeça. Era o carnaval que eu havia o conhecido. Um monte de sensações há muito tão distante voltara de uma só vez. Nem me lembrava mais como era conversar com alguém sentindo tanto frio na barriga. Aquilo era novo, era proibido e poderia ser secreto. Voltamos para pista de dança os dois.
CONTINUA EM BREVE
-Quebrei duas costelas no tombo, mas tô bem. Você tava me seguindo?
-Tava pensando no que falar pra você. Achei que você fosse sair correndo de novo.
-Eu quase corri mesmo. Achei que você era um assaltante.
-Eu corria atrás de um hoje, quando te derrubei. Desculpa mais uma vez, viu?
-Conseguiu recuperar os óculos?
-Não, perdi o pivete de vista quando caí. Você ta indo pra onde?
-Pra falar a verdade, me perdi. Eu ia pra um restaurante perto do hotel, mas dei uma volta com medo de você me seguindo.
-Sabe o nome do restaurante? Eu te guio...
De lá pra cá fica fácil de imaginar. Ele era lindo. Era divertido. Gostava de várias coisas em comum. A minha viagem de carnaval se estendeu por mais três semanas. A idéia de sair do Rio e deixá-lo era algo horroroso. Morando em cidades separadas, nos víamos aos finais de semana. Tudo andava muito bem. A saudade era constante, mas matá-la a cada cinco dias era divertido. Seis meses se passaram e ele conseguiu uma transferência para Brasília. Decidimos que seria melhor morarmos cada um em sua casa no início. Ele alugou uma casa no mesmo bairro que o meu e passávamos cada vez mais tempo juntos. Conviver com ele era uma realidade tão distante da relatada por todas as minhas amigas que dividiam a casa com o namorado/noivo/marido. Eu me divertia TANTO quando ele estava por perto e sentia sua falta quando ele ia embora. Pela primeira vez na vida a idéia de dormir e acordar com a mesma pessoa ao lado, todos os dias, não me parecia um coisa esquisita. Era bom até. Decidimos morar juntos.
Eu lembro de fazer carinho no cabelo dele até ele dormir e achá-lo a coisa mais linda do mundo. Eu gostava do cheiro do travesseiro dele, do cheiro da pele. Eu mostrava pra ele tudo que achava divertido. Se alguma coisa no trabalho me stressava, a idéia de chegar e vê-lo rindo alegrava o meu dia. Com ele eu iria até ver o jogo do Flamengo, no Maracanã, num calor de 50 graus, no dia mais lotado. E iria feliz. Ele era o homem mais gostoso, cheiroso, bonito e divertido que existia. Todos os outros perderam o rosto depois que eu o conheci. Eu acho que aquilo era amor, não sei.
No carnaval, dois anos mais tarde, viajamos para o Rio. No primeiro dia de carnaval, estávamos pulando e cantando ao som do monobloco. Um menino veio correndo e pegou meus óculos. Ele saiu correndo atrás do menino. Metros a frente ele caiu. Eu saí correndo para salvá-lo. Ele, no chão gemia de dor. Se virou sorrindo e me entregou meus óculos. Em uma das hastes tinha um anel preso. Ele se levantou, tirou a camiseta e estava escrito no peito "casa comigo?" A minha reação (não me pergunte o porquê) foi sair correndo. E música ficou baixa, o fundo embaçado... eu corri! Corri muito. Pulei no mar gelado. Tentei, de todas as formas, me acalmar. Eu deveria estar radiante, não deveria? Mas, por alguma razão, eu estava apavorada. Casar é sempre um kit com filhos, responsabilidades, perda do tempo livre...
Eu voltei para o hotel. Ele estava me esperando no quarto. Eu me desculpei pela surtada. E aceitei o pedido. Voltamos para casa e o "PARA TODO O SEMPRE" pesava sobre mim. Vê-lo dormir passou a me irritar, porque o ronco dele me acordaria até o fim da minha vida. A idéia de chegar em casa e ouvir reclamações sobre o trabalho me também passou a me irritar, então passei a voltar cada vez mais tarde do trabalho. Com isso, raramente jantávamos juntos. Ao ver que eu estava distante, ele tentava me agradar cada vez mais. Eu recebia flores no trabalho com bilhetinhos, depois do banho ele se oferecia para fazer massagem. Aos finais de semana, eu acordava com café na cama. Eu acho que o que ele sentia era amor, eu não sei...
Minhas amigas percebiam o mal- humor constante e volta e meia me chamavam para sair, dançar e relaxar. Resolvi aceitar o convite de uma sexta-feira que Ele tinha acordado esquisito. Talvez outros ares renovassem o fôlego. Depois do trabalho dei uma corridinha na academia e me arrumei por lá mesmo. Segui para o bar onde elas estavam.
Confesso que dois drinks depois estava me sentindo bem mais relaxada e pela primeira vez em alguns meses ria sem preocupações. Do bar fomos para o Gates relembrar os tempos de música boa. Da entrada para o bar, do bar para pista. Aquela era uma noite de fila na porta. Há muito não freqüentava a casa. Algumas músicas depois vi que um homem lindo estava entrando na pista desacompanhado. Eu e todas as meninas acompanhamos sua trajetória para ver o destino do rapaz. Um grupo de amigos. Ele, certamente, estava livre.
Continuei dançando sem me preocupar com o grupo masculino. Eu tinha, sim, um noivo. Se admirar não arrancava pedaço, paquerar era um pouco demais. Como eu era a única na roda desinteressada no outro grupo, fui pro bar pegar mais bebida. Espero o garçon trazer os copos quando ele encosta-se ao balcão. Olhar pro lado para ver que ele era ainda mais bonito de perco foi inevitável. Ele sorri e começamos a bater um papo. Descobrimos que já havíamos estudado juntos nos tempos do ensino médio e que estávamos no Rio no mesmo carnaval.
Imediatamente Ele me vem à cabeça. Era o carnaval que eu havia o conhecido. Um monte de sensações há muito tão distante voltara de uma só vez. Nem me lembrava mais como era conversar com alguém sentindo tanto frio na barriga. Aquilo era novo, era proibido e poderia ser secreto. Voltamos para pista de dança os dois.
CONTINUA EM BREVE
sábado, 15 de agosto de 2009
Perpétuos
Eu o conheci no primeiro dia de um carnaval que resolvi passar no Rio...
A promessa para Yemanjá na virada de "ter mais tempo para os bons momentos da vida" era cumprida a cada dia. E, disposta a aproveitar cada minuto da solteirice saudável dos vintes anos, fiz as malas e fui com um grupo de amigas abrir os braços para o Cristo.
Chegamos ao Galeão no final da tarde. Deixei as malas no hotel e corri para praia -o sol, se escondendo atrás do Vidigal, é o tipo de paisagem que você quer colocar em um frontlight de tão bonito- pedi um coco gelado e sentei na areia. Fiquei ali, pelo menos, duas horas. Já não era mais possível diferenciar as estrelas das luzes da favela. O Rio era, todo, um mapa celeste ligado no 220. Subi para encontrar as meninas. Uma garrafa e meia de vodka já tinha evaporado. O clima já estava "alegrinho". Bebi a metade restante para subir o degrau e ficar alta como elas.
O início da noite seria na casa de Renato, um amigo de Beatriz. Depois disso, só Deus saberia o que seria de nossas vidas....
Uma cobertura no prédio que avô dele construiu, em Ipanema. O lavabo do apartamento era do tamanho do nosso quarto, para 4 pessoas. As pessoas não seguravam taças. Eram garrafas, entregues acompanhadas de um beijo a cada convidado que chegava. Felizmente, na mesa de centro, havia uma quantidade de garrafinhas d'água equivalente as garrafas de champagne distribuídas. Fiz uma troca para garantir a sobrevivência do dia seguinte. Morrer no primeiro dia de Cidade Maravilhosa, não! O resto da noite rendeu risadas e dança esquisita. Quando estávamos as quatro reunidas SEMPRE inventávamos danças esquisitas. E o pior (ou melhor), não havia a menor vergonha em tornar público os passos descompassados.
O dia seguinte começou, para mim, com o barulho de uma mensagem no meu celular. Era Fábio, um amigo do Renato que conheci na noite anterior. "O sol saiu brilhando pra você". Aí, que preguiça.... Levanto. Vejo o estado das meninas e agradeço a Yemanjá a água que bebi ontem entre uma garrafa e outra.... Resolvo descer, beber uma água de coco e dar uma corridinha, dependendo do calor, uma caminhada....
Na volta da corrida quem eu encontro na frente do hotel? Fábio! Ele está fantasiado e me chama para um carnavaleco de rua, que sempre acontece por ali. Subo, convido as meninas e, fantasiadas e alegres, vamos cantar as marchinhas e cheirar lança perfume como os tempos áureos dos carnavais de verdade. Aqueles que a sua avó, provavelmente, foi. Entre um pierrot e outro vejo uns carnavalescos apresentáveis, bem bonitinhos. Mas nenhum era aqueeeele gato que faz você mostrar o seu lado simpático e gentil. Continuo pulando e cantando atrás do monobloco. CATAPUUUUUUUUUUUUUFT! (amou a sonoplastia?) Sou atropelada por um boi! Só pode ser! Caio de cara no chão. Levanto o rosto e vejo que tem alguém caído ao meu lado. Ele se levanta e me pega no colo.
- Ta viva?
- Duvido, mas acho que sim. Você me atropelou! Me coloca no chão!
- Eu tava correndo atrás de um mané que pegou meus óculos. Desculpa. Machucou muito?
Eu não conseguia saber de fato. Estava anestesiada ainda pelo lança....
- Não, tô bem. Talvez sem um dente, mas eu posso fingir que faz parte da minha fantasia.
Ele riu e passou a mão na minha testa para tirar a marca da sujeira que estava na rua. Eu senti um frio na barriga. Sabe aquelas cenas de filme que a música abaixa, o fundo fica embaçado e você paralisa, com cara de bocó? Eu estava nessa desgraça de estado de graça. Meus dias de solteirice saudável iriam por água a baixo? Sai correndo! Feito uma maluca. "É por causa do tombo. Calma, é por causa do tombo. Você ficou surda e parcialmente cega por um instante, mas já passou." Fui pra paia dar um mergulho no mar gelado.
Passei o resto do dia pensando na mão dele, vindo em direção a minha testa. Ele sorrindo. A música parando....ele brilhando e eu correndo! Resolvi dar outra corrida. Fui até o Arpoador e vi o pôr-do-sol mais uma vez.
Volto para o hotel e vejo um bilhete em cima do meu travesseiro. "Estamos na casa do Renato e depois vamos pro Zero-zero, quando acabar a maratona, liga no celular da Flávia." Ir à casa do Renato e encontrar o Fábio me deu preguiça. Resolvo tomar banho e comer em algum restaurante ali perto. De banho tomado, decido ir a um restaurantezinho japonês que vi mais cedo.
Vou à pé. Tenho a impressão de ter alguém atrás de mim, paranóica pelas notícias sobre a violência dos cariocas, mudo o caminho. Me perco e dou uma volta enorme. A pessoa ainda anda atrás de mim. Com o coração aos pulos resolvo virar para ver que é.
Era ele, o caminhão que me atropelou de manhã.
CONTINUA EM 24 HORAS.
A promessa para Yemanjá na virada de "ter mais tempo para os bons momentos da vida" era cumprida a cada dia. E, disposta a aproveitar cada minuto da solteirice saudável dos vintes anos, fiz as malas e fui com um grupo de amigas abrir os braços para o Cristo.
Chegamos ao Galeão no final da tarde. Deixei as malas no hotel e corri para praia -o sol, se escondendo atrás do Vidigal, é o tipo de paisagem que você quer colocar em um frontlight de tão bonito- pedi um coco gelado e sentei na areia. Fiquei ali, pelo menos, duas horas. Já não era mais possível diferenciar as estrelas das luzes da favela. O Rio era, todo, um mapa celeste ligado no 220. Subi para encontrar as meninas. Uma garrafa e meia de vodka já tinha evaporado. O clima já estava "alegrinho". Bebi a metade restante para subir o degrau e ficar alta como elas.
O início da noite seria na casa de Renato, um amigo de Beatriz. Depois disso, só Deus saberia o que seria de nossas vidas....
Uma cobertura no prédio que avô dele construiu, em Ipanema. O lavabo do apartamento era do tamanho do nosso quarto, para 4 pessoas. As pessoas não seguravam taças. Eram garrafas, entregues acompanhadas de um beijo a cada convidado que chegava. Felizmente, na mesa de centro, havia uma quantidade de garrafinhas d'água equivalente as garrafas de champagne distribuídas. Fiz uma troca para garantir a sobrevivência do dia seguinte. Morrer no primeiro dia de Cidade Maravilhosa, não! O resto da noite rendeu risadas e dança esquisita. Quando estávamos as quatro reunidas SEMPRE inventávamos danças esquisitas. E o pior (ou melhor), não havia a menor vergonha em tornar público os passos descompassados.
O dia seguinte começou, para mim, com o barulho de uma mensagem no meu celular. Era Fábio, um amigo do Renato que conheci na noite anterior. "O sol saiu brilhando pra você". Aí, que preguiça.... Levanto. Vejo o estado das meninas e agradeço a Yemanjá a água que bebi ontem entre uma garrafa e outra.... Resolvo descer, beber uma água de coco e dar uma corridinha, dependendo do calor, uma caminhada....
Na volta da corrida quem eu encontro na frente do hotel? Fábio! Ele está fantasiado e me chama para um carnavaleco de rua, que sempre acontece por ali. Subo, convido as meninas e, fantasiadas e alegres, vamos cantar as marchinhas e cheirar lança perfume como os tempos áureos dos carnavais de verdade. Aqueles que a sua avó, provavelmente, foi. Entre um pierrot e outro vejo uns carnavalescos apresentáveis, bem bonitinhos. Mas nenhum era aqueeeele gato que faz você mostrar o seu lado simpático e gentil. Continuo pulando e cantando atrás do monobloco. CATAPUUUUUUUUUUUUUFT! (amou a sonoplastia?) Sou atropelada por um boi! Só pode ser! Caio de cara no chão. Levanto o rosto e vejo que tem alguém caído ao meu lado. Ele se levanta e me pega no colo.
- Ta viva?
- Duvido, mas acho que sim. Você me atropelou! Me coloca no chão!
- Eu tava correndo atrás de um mané que pegou meus óculos. Desculpa. Machucou muito?
Eu não conseguia saber de fato. Estava anestesiada ainda pelo lança....
- Não, tô bem. Talvez sem um dente, mas eu posso fingir que faz parte da minha fantasia.
Ele riu e passou a mão na minha testa para tirar a marca da sujeira que estava na rua. Eu senti um frio na barriga. Sabe aquelas cenas de filme que a música abaixa, o fundo fica embaçado e você paralisa, com cara de bocó? Eu estava nessa desgraça de estado de graça. Meus dias de solteirice saudável iriam por água a baixo? Sai correndo! Feito uma maluca. "É por causa do tombo. Calma, é por causa do tombo. Você ficou surda e parcialmente cega por um instante, mas já passou." Fui pra paia dar um mergulho no mar gelado.
Passei o resto do dia pensando na mão dele, vindo em direção a minha testa. Ele sorrindo. A música parando....ele brilhando e eu correndo! Resolvi dar outra corrida. Fui até o Arpoador e vi o pôr-do-sol mais uma vez.
Volto para o hotel e vejo um bilhete em cima do meu travesseiro. "Estamos na casa do Renato e depois vamos pro Zero-zero, quando acabar a maratona, liga no celular da Flávia." Ir à casa do Renato e encontrar o Fábio me deu preguiça. Resolvo tomar banho e comer em algum restaurante ali perto. De banho tomado, decido ir a um restaurantezinho japonês que vi mais cedo.
Vou à pé. Tenho a impressão de ter alguém atrás de mim, paranóica pelas notícias sobre a violência dos cariocas, mudo o caminho. Me perco e dou uma volta enorme. A pessoa ainda anda atrás de mim. Com o coração aos pulos resolvo virar para ver que é.
Era ele, o caminhão que me atropelou de manhã.
CONTINUA EM 24 HORAS.
Romã e Menta
Preciso parar de te ver.
No rosto de cada pessoa que mato. Que erro. Que fujo
Fujo porque te vejo.
Preciso para de te ver.
De sentir a sua mão grande e pesada no meu ombro.
Me puxando. Me chamando. Me manchando. Me machucando.
Preciso parar de te ver.
Mas como me despedir,
se despedir de você é dizer nunca mais a um pedaço de mim?
Meu erro foi ter visto tão de perto.
Quando vi que tanto de mim era seu.
Tentei arrancar e te machuquei.
Era meu! Era eu.... e eu te dei.
Em cada abraço, um pedaço.
Nos seus beijos todo o meu desejo.
Nos meus olhos, só a sua luz.
Só a sua luz. Só a sua.
Então corre e acena. Há tanto na cena.
No rosto de cada pessoa que mato. Que erro. Que fujo
Fujo porque te vejo.
Preciso para de te ver.
De sentir a sua mão grande e pesada no meu ombro.
Me puxando. Me chamando. Me manchando. Me machucando.
Preciso parar de te ver.
Mas como me despedir,
se despedir de você é dizer nunca mais a um pedaço de mim?
Meu erro foi ter visto tão de perto.
Quando vi que tanto de mim era seu.
Tentei arrancar e te machuquei.
Era meu! Era eu.... e eu te dei.
Em cada abraço, um pedaço.
Nos seus beijos todo o meu desejo.
Nos meus olhos, só a sua luz.
Só a sua luz. Só a sua.
Então corre e acena. Há tanto na cena.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Eu nunca poderia ser piscóloga: episódio III
Em uma tarde com meu sobrinho de três anos o seguinte erro acontece:
-Eu não gosto do "R" que eu faço. (disse o menino que obviamente ainda não escreve, mas que já sabia desenhar um "R").
-Você não gosta do que você faz?! Mas por que? Acho isso meio precoce. Você ainda nem entrou na adolescência.
- A perninha do "R" fica torta. Mas o que é adolescência?
-Eu não gosto do "R" que eu faço. (disse o menino que obviamente ainda não escreve, mas que já sabia desenhar um "R").
-Você não gosta do que você faz?! Mas por que? Acho isso meio precoce. Você ainda nem entrou na adolescência.
- A perninha do "R" fica torta. Mas o que é adolescência?
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Palavras que curam
Um estudo revelou o poder terapêutico do palavrão.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/07/090713_palavroesestudo_ba.shtml
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/07/090713_palavroesestudo_ba.shtml
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Pessoas
Eu tenho uma caixa cheia de cartões
alguns que recebi, outros que escrevi.
Gosto de lembrar dos sentimentos
escrevendo ou lendo.
Alguns eu guardo, outros eu rasgo.
Porque de algumas eu lembro, outras eu queimo.
alguns que recebi, outros que escrevi.
Gosto de lembrar dos sentimentos
escrevendo ou lendo.
Alguns eu guardo, outros eu rasgo.
Porque de algumas eu lembro, outras eu queimo.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Eu prefiro os "mais ou menos".
Os bonitos, que me desculpem. Mas bom humor é fundamental.
Assim como existem os vários tipos de mulher, existem vários tipos de homem. Três, em particular, despertam minha atenção.
TIPO 1: COISA MAIS LINDA DO MUNDO
O nome já diz tudo. O sujeito é o cara mais lindo do lugar. Sabe aquele rapaz que chega na festa e deixa todos os outros em um tom preto e branco? Esse!
Ele é lindo, gostoso e, na maior parte das vezes, bem vestido. (E ele sabe disso). É claro que você, ao vê-lo, vai dispensar aquele "mais ou menos" que estava quase te ganhando para pegar a coisa mais linda do mundo. VOCÊ ERROU, acredite.
Raras exceções existem, com a graça das luzes azuis que guiam o meu caminho. Mas, largar o mais ou menos para atirar-se ao Deus grego à sua frente, nem sempre é o melhor negócio do mundo.
Esse tipo de cara passa a maior parte do seu tempo empenhado em manter sua forma escultural, raramente perde tempo com um bom livro e grande parte usa "da química" para dar aquele toque 300 (o filme) no abdômen. Ou seja, um marombeiro chato, que provavelmente vai querer conversar sobre séries de musculação e dietas. Um saco. Te levar pra tomar sorvete? Nem pensar!
TIPO 2: CHUTA QUE É MACUMBA
Assim como existem os vários tipos de mulher, existem vários tipos de homem. Três, em particular, despertam minha atenção.
TIPO 1: COISA MAIS LINDA DO MUNDO
O nome já diz tudo. O sujeito é o cara mais lindo do lugar. Sabe aquele rapaz que chega na festa e deixa todos os outros em um tom preto e branco? Esse!
Ele é lindo, gostoso e, na maior parte das vezes, bem vestido. (E ele sabe disso). É claro que você, ao vê-lo, vai dispensar aquele "mais ou menos" que estava quase te ganhando para pegar a coisa mais linda do mundo. VOCÊ ERROU, acredite.
Raras exceções existem, com a graça das luzes azuis que guiam o meu caminho. Mas, largar o mais ou menos para atirar-se ao Deus grego à sua frente, nem sempre é o melhor negócio do mundo.
Esse tipo de cara passa a maior parte do seu tempo empenhado em manter sua forma escultural, raramente perde tempo com um bom livro e grande parte usa "da química" para dar aquele toque 300 (o filme) no abdômen. Ou seja, um marombeiro chato, que provavelmente vai querer conversar sobre séries de musculação e dietas. Um saco. Te levar pra tomar sorvete? Nem pensar!
TIPO 2: CHUTA QUE É MACUMBA
Esse é aquele camarada que é feio e chato (e tem bafo). É chato porque não sabe que é feio, fica dando em cima de tudo quanto é mulher e acha que é normal conversar a 3 cm de distância do seu rosto. Tipo de pessoa que você encontra sempre em festa, tenta fingir que não viu....mas ele vem falar com você. Ao se livrar do ser você sempre escuta “Tá fazendo jogo duro...”. Dá até preguiça escrever sobre esse tipo.
TIPO 3: OS MAIS OU MENOS
Sabe aquele terreno que você comprou baratinho, mas com o tempo foi valorizando... e hoje é um mega investimento? Um homem mais ou menos, maior parte das vezes, é assim. A principal característica dessa espécie é a inteligência. Por não serem a coisa mais linda do mundo (também não são feios) desenvolvem técnicas de sedução. E como são sedutores os mais ou menos! Eles não ficam posando em sua frente como estátuas gregas, logo têm um papo interessantíssimo. Não possuem aquele corpo escultural, logo a probabilidade de serem mais esforçados na cama é grande. Se você for uma menina mais bem apessoada ele vai te elogiar todos os dias. Os mais ou menos se sentem orgulhosos por terem conquistado uma mulher bonita e fazem milagres para mantê-las ao lado. Atenciosos, mandam flores, sabem cozinhar, gostam de dançar, são engraçados, bem humorados e dispostos a tudo. Pensando bem, os mais ou menos não têm tanto de menos... porque são conquistadores e uma vez consquitada você o achará a coisa mais linda do mundo. Com todas as qualidades de um mais ou menos.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Eu nunca poderia ser piscóloga: episódio II
Duas amigas na escada. Uma delas:
"Quando um filho da puta entra no meio de duas amizades, acontece o seguinte:
Você acredita que o seu amigo é um filho da puta por acreditar naquele filho da puta falso. E o seu amigo acredita que filho da puta falso é você."
No Texas isso se resolveria rapidamente.
"Quando um filho da puta entra no meio de duas amizades, acontece o seguinte:
Você acredita que o seu amigo é um filho da puta por acreditar naquele filho da puta falso. E o seu amigo acredita que filho da puta falso é você."
No Texas isso se resolveria rapidamente.
terça-feira, 9 de junho de 2009
O primeiro beijo de Betinho

Roberto era um menino pequeno para sua idade.
Aos onze anos parecia ter nove. Era magrelo, loirinho, com dentinhos pequenos...
O que, para muitos teria sido trauma de infância, para Roberto foi o seu diferencial com as mulheres. Desde pequeno era aquele menino fofinho que todas cuidavam com carinho. Betinho era o xodó das amigas de sua irmã mais velha.
Estudava pela manhã e à tarde descia para brincar com os seus comparsas do bloco. Adorava jogar bola e fabricava os melhores estilingues- mesmos que eram exportados para o bloco vizinho de maneira secreta- era sempre o padre nas festas juninas da quadra e preferia ser ladrão a policial, no polícia-ladrão.
Rafael, seu melhor amigo, era como um irmão adotado. Viviam juntos pra cima e pra baixo. Por ser bem mais alto e forte Rafael vivia defendendo Roberto das brigas compradas em cada partida ou “guerra” entre blocos. Nas festas juninas ele nunca dançava. Rafael era tímido e reservado.
Em uma tarde de domingo os dois amigos estavam embaixo do bloco quando viram um caminhão de mudança estacionando no bloco à frente. Logo atrás vinha um carro branco perolado. Descem do carro um senhor baixinho, uma morena escultural e uma menina que, certamente, era filha daquela senhora. Era Beatriz, seu pai e Dona Clara, sua mãe. Eles vinham do Rio de Janeiro para Brasília e eram os novos moradores do bloco vizinho. Os dois rapazes se ofereceram para ajudar na mudança. Beatriz era uma menina de treze anos bem desenvolta e logo fez amizade com os dois meninos que não conseguiam esconder a euforia em conhecê-la. Aquela era uma tarde de domingo mais feliz.
Para fugir do clima seco, Bia ia semanalmente ao Iate Clube de Brasília. O que fez com que Betinho, Rafael e os outros meninos da quadra também se associassem ao clube. Eram horas e horas nas piscinas e toboáguas.
O tempo foi passando e Bia e Betinho ficaram cada vez mais amigos. A desenvoltura do menino fez com que a menina se tornasse íntima. E, como era de se esperar, os dois logo se sentiram atraídos... Mas Betinho nunca havia beijado ninguém. Eram onze anos de expectativa e inexperiência. Tenso, o menino foi trocar confidências com o melhor amigo:
- Tô sentindo que vai rolar um beijo, Rafa. Porra, ela Vai ver que eu sou B.V!
-Vai mesmo. Tá f*****.
-E agora?
-Meu irmão, treina na laranja! Pega uma laranja, parte ao meio e solta a língua. Mas espreme um pouco antes, pra ficar molinha.
E assim foram os dias seguintes de Betinho. O menino chupou uma dúzia de laranjas até o domingo ensolarado chegar e ele e Bia se encontrarem no clube. Ela estava na lanchonete quando ele chegou. Ele e Rafael pediram uma coca e foram dar um mergulho. Ela acabou seu sanduíche e se juntou a eles. Betinho e Rafa já tinham combinado tudo: depois de nadar um pouco, Rafael ia tomar sol e deixar os dois sozinhos. Ele saiu da piscina e foi para as esteiras. Betinho respirou fundo e propôs:
-Bia, vamos fingir que eu me afoguei e você me salva? Tipo assim, respiração boca a boca.
Bia, com sua sagacidade carioca, riu e disse:
-Salvamento não, porque um sempre ta desmaiado. Tenho uma brincadeira melhor. Você conhece salada mista?
Betinho ficou paralisado com a resposta da menina. Ele tinha pensado em todas as respostas para sua pergunta, menos aquela. Ele ia beijar MESMO e ia ser naquela hora. Mais uma vez respirou fundo e foi nadando pra perto dela, no estilo cachorrinho.
Ele cuspiu a água que estava na boca e segurou a mão de Bia. Ela deu um mergulho para tirar o aparelho móvel e subiu com a graciosidade de uma garota do fantástico que sai da água em câmera lenta.
Aos onze anos parecia ter nove. Era magrelo, loirinho, com dentinhos pequenos...
O que, para muitos teria sido trauma de infância, para Roberto foi o seu diferencial com as mulheres. Desde pequeno era aquele menino fofinho que todas cuidavam com carinho. Betinho era o xodó das amigas de sua irmã mais velha.
Estudava pela manhã e à tarde descia para brincar com os seus comparsas do bloco. Adorava jogar bola e fabricava os melhores estilingues- mesmos que eram exportados para o bloco vizinho de maneira secreta- era sempre o padre nas festas juninas da quadra e preferia ser ladrão a policial, no polícia-ladrão.
Rafael, seu melhor amigo, era como um irmão adotado. Viviam juntos pra cima e pra baixo. Por ser bem mais alto e forte Rafael vivia defendendo Roberto das brigas compradas em cada partida ou “guerra” entre blocos. Nas festas juninas ele nunca dançava. Rafael era tímido e reservado.
Em uma tarde de domingo os dois amigos estavam embaixo do bloco quando viram um caminhão de mudança estacionando no bloco à frente. Logo atrás vinha um carro branco perolado. Descem do carro um senhor baixinho, uma morena escultural e uma menina que, certamente, era filha daquela senhora. Era Beatriz, seu pai e Dona Clara, sua mãe. Eles vinham do Rio de Janeiro para Brasília e eram os novos moradores do bloco vizinho. Os dois rapazes se ofereceram para ajudar na mudança. Beatriz era uma menina de treze anos bem desenvolta e logo fez amizade com os dois meninos que não conseguiam esconder a euforia em conhecê-la. Aquela era uma tarde de domingo mais feliz.
Para fugir do clima seco, Bia ia semanalmente ao Iate Clube de Brasília. O que fez com que Betinho, Rafael e os outros meninos da quadra também se associassem ao clube. Eram horas e horas nas piscinas e toboáguas.
O tempo foi passando e Bia e Betinho ficaram cada vez mais amigos. A desenvoltura do menino fez com que a menina se tornasse íntima. E, como era de se esperar, os dois logo se sentiram atraídos... Mas Betinho nunca havia beijado ninguém. Eram onze anos de expectativa e inexperiência. Tenso, o menino foi trocar confidências com o melhor amigo:
- Tô sentindo que vai rolar um beijo, Rafa. Porra, ela Vai ver que eu sou B.V!
-Vai mesmo. Tá f*****.
-E agora?
-Meu irmão, treina na laranja! Pega uma laranja, parte ao meio e solta a língua. Mas espreme um pouco antes, pra ficar molinha.
E assim foram os dias seguintes de Betinho. O menino chupou uma dúzia de laranjas até o domingo ensolarado chegar e ele e Bia se encontrarem no clube. Ela estava na lanchonete quando ele chegou. Ele e Rafael pediram uma coca e foram dar um mergulho. Ela acabou seu sanduíche e se juntou a eles. Betinho e Rafa já tinham combinado tudo: depois de nadar um pouco, Rafael ia tomar sol e deixar os dois sozinhos. Ele saiu da piscina e foi para as esteiras. Betinho respirou fundo e propôs:
-Bia, vamos fingir que eu me afoguei e você me salva? Tipo assim, respiração boca a boca.
Bia, com sua sagacidade carioca, riu e disse:
-Salvamento não, porque um sempre ta desmaiado. Tenho uma brincadeira melhor. Você conhece salada mista?
Betinho ficou paralisado com a resposta da menina. Ele tinha pensado em todas as respostas para sua pergunta, menos aquela. Ele ia beijar MESMO e ia ser naquela hora. Mais uma vez respirou fundo e foi nadando pra perto dela, no estilo cachorrinho.
Ele cuspiu a água que estava na boca e segurou a mão de Bia. Ela deu um mergulho para tirar o aparelho móvel e subiu com a graciosidade de uma garota do fantástico que sai da água em câmera lenta.

Aqueles quinze segundos são até hoje relembrados com carinho por Betinho. Naquele ano ele foi o noivo da festa junina da quadra.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Isso, que a gente faz, amor.
domingo, 31 de maio de 2009
Só no swing
Ela é resultado do amor
de um poeta e uma flor
Dos pés a cabeça,
tudo dela é uma beleza.
Ela é boneca
sapeca
teteca
Deixa o povo olhando, parado.
Tainá Machado.
Olhar de relampago e voz de trovão
Ela rouba de todos os meus amigos o coração.
Corpo violão, pra você essa canção.
de um poeta e uma flor
Dos pés a cabeça,
tudo dela é uma beleza.
Ela é boneca
sapeca
teteca
Deixa o povo olhando, parado.
Tainá Machado.
Olhar de relampago e voz de trovão
Ela rouba de todos os meus amigos o coração.
Corpo violão, pra você essa canção.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Os 3 km de cada dia...

Era uma noite dessas de céu claro e lua grande. Eram tantas estrelas brilhando que parecia que alguém tinha espirrado tinta branca naquela tela azul-marinho.
No meio da festa, uma fogueira grande e alta aquecia os pés de quem dançava em volta.
Ela bebia como se fosse achar no final de cada copo, ele.
Ele chegou. No rosto de cada homem da festa estava, ele.
Ele sorria a chamando e em cada beijo ele morria.
Ao poucos.
Ela fechou os olhos para deixar de ver, ele.
Começou uma outra música. Violão e tambor.
Uma mão puxou seu braço. Cada passo encaixava no próximo como se ninguém estivesse lá para os ver dançando assim.
Quanto mais ele apertava, melhor ela respirava.
Aquele era um amor de sorrisos de olhos fechados.
De montanha russa na barriga.
De querer pra sempre e nunca mais soltar.
Ela abriu os olhos sorrindo. Era ele.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Acho (des)graça
Acho engraçado os que tem o dedo podre apontarem o próximo.
Acho engraçado os que acusam sem provas trabalharem com a justiça.
Acho engraçado os que tem a barriga esticada pelos excessos serem os mesmos
que não enxergam o próprio umbigo.
Acho engraçado aqueles que acusam a postura alheia saírem por aí abrindo as calças
e levantando os vestidos
e caindo pelas festas
e vomitando o cinismo.
Acho engraçado os que pagaram pelo nariz serem os mesmos
que metem o nariz onde não são chamados.
Abraçar e chamar de amigo e pelas costas falar mal.
Isso eu não acho engraçado.
Acho engraçado os que acusam sem provas trabalharem com a justiça.
Acho engraçado os que tem a barriga esticada pelos excessos serem os mesmos
que não enxergam o próprio umbigo.
Acho engraçado aqueles que acusam a postura alheia saírem por aí abrindo as calças
e levantando os vestidos
e caindo pelas festas
e vomitando o cinismo.
Acho engraçado os que pagaram pelo nariz serem os mesmos
que metem o nariz onde não são chamados.
Abraçar e chamar de amigo e pelas costas falar mal.
Isso eu não acho engraçado.
terça-feira, 5 de maio de 2009
A orgulhosa
"Deixa-te disso, criança,
Deixa de orgulho, sossega,
Olha que o mundo é um oceano
Por onde o acaso navega.
Hoje, ostentas nas salas
As tuas pomposas galas,
Os teus brasões de rainha;
Amanhã, talvez, quem sabe?
Esse teu orgulho se acabe,
Seja-te a sorte mesquinha.
(...)
De nada vale o que tens
Que não me podes comprar;
Ainda que possuísses
Todas as pérolas do mar!
És fidalga? - Sou poeta!
Tens dinheiro?
- Eu a completa riqueza no coração;
Não troco uma estrofe minha
Por um colar de rainha
Nem por troféus de latão.
(...)
Por isso quando me falas,
Com esse desdém e altivez,
Rio-me tanto de ti,
Chego a chorar muita vez.
Chorar sim, porque calculo,
Nada pode haver mais nulo,
Mais degradante e sem sal
Do que uma mulher presumida,
Tola, vaidosa, atrevida.
Soberba, inculta e banal. "
Deixa de orgulho, sossega,
Olha que o mundo é um oceano
Por onde o acaso navega.
Hoje, ostentas nas salas
As tuas pomposas galas,
Os teus brasões de rainha;
Amanhã, talvez, quem sabe?
Esse teu orgulho se acabe,
Seja-te a sorte mesquinha.
(...)
De nada vale o que tens
Que não me podes comprar;
Ainda que possuísses
Todas as pérolas do mar!
És fidalga? - Sou poeta!
Tens dinheiro?
- Eu a completa riqueza no coração;
Não troco uma estrofe minha
Por um colar de rainha
Nem por troféus de latão.
(...)
Por isso quando me falas,
Com esse desdém e altivez,
Rio-me tanto de ti,
Chego a chorar muita vez.
Chorar sim, porque calculo,
Nada pode haver mais nulo,
Mais degradante e sem sal
Do que uma mulher presumida,
Tola, vaidosa, atrevida.
Soberba, inculta e banal. "
sexta-feira, 1 de maio de 2009
O paraíso é logo ali...
Não consigo mais escrever.
Cada palavra vira lança em minhas mãos.
O medo de ofender, de perder. De quebrar, de errar.
Não consigo mais escrever!
As letras embaralham-se todas dentro de mim,
Dançam feito os sentimentos
Minhas mãos pesam sobre o papel e a velocidade dos dedos confunde o teclado
Mas, o peso da mão sobre meu ombro é maior.
A mão grande e pesada que me faz tombar para o lado
Que muitas vezes me põe sobre os joelhos
Que impede o passo à frente.
Ir além, escrever
Ser além, crescer
Ver além, esquecer
Cada palavra vira lança em minhas mãos.
O medo de ofender, de perder. De quebrar, de errar.
Não consigo mais escrever!
As letras embaralham-se todas dentro de mim,
Dançam feito os sentimentos
Minhas mãos pesam sobre o papel e a velocidade dos dedos confunde o teclado
Mas, o peso da mão sobre meu ombro é maior.
A mão grande e pesada que me faz tombar para o lado
Que muitas vezes me põe sobre os joelhos
Que impede o passo à frente.
Ir além, escrever
Ser além, crescer
Ver além, esquecer
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Acho que é Denise Emmer
"Alguma coisa mudava no universo.
Espasmos de esferas vagarosas
que vinham avisar das supernovas
com seus panos azuis desgovernados.
E eu tentava desbravar a noite
como quem vence a construção vazia,
tudo é secreto desde a infância mágica
o que me faz sonhar além do sonho?
... eu atravessava as folhas em branco
como se percorresse as laudas de um deserto
estava entre o nada e o incerto
o tímido e o nulo dissonantes
perdia-me nas longas reticências que ele deixava
em páginas suspensas entre lacunas frias
a linguagem, entre o Céu e a Terra,
o seu discurso.
Por que habito um país estranho
onde o poeta inventa o indizível,
sou criador e criatura
sou a adolescente que embalava monstros
Sou feita de pai e mãe
E susbtância e música
E fragmento e sombra
E segredo.
Sou feita de pai e morte
E passageiro e mãe
E planetário e mundo
E medo.
Sou feita de mito e pacto
E magnésia e pão
E rotação e árvore
Dueto.
Não me conheço."
Espasmos de esferas vagarosas
que vinham avisar das supernovas
com seus panos azuis desgovernados.
E eu tentava desbravar a noite
como quem vence a construção vazia,
tudo é secreto desde a infância mágica
o que me faz sonhar além do sonho?
... eu atravessava as folhas em branco
como se percorresse as laudas de um deserto
estava entre o nada e o incerto
o tímido e o nulo dissonantes
perdia-me nas longas reticências que ele deixava
em páginas suspensas entre lacunas frias
a linguagem, entre o Céu e a Terra,
o seu discurso.
Por que habito um país estranho
onde o poeta inventa o indizível,
sou criador e criatura
sou a adolescente que embalava monstros
Sou feita de pai e mãe
E susbtância e música
E fragmento e sombra
E segredo.
Sou feita de pai e morte
E passageiro e mãe
E planetário e mundo
E medo.
Sou feita de mito e pacto
E magnésia e pão
E rotação e árvore
Dueto.
Não me conheço."
domingo, 19 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
O tesouro que eu achei sem garimpar
Eu tenho um amigo que amo como irmão.
E é pra ele essa canção.
Às vezes quero te queimar
Me vejo tacando fogo e te jogando ao mar
Você sai com essa sua cara amarrada, azedo
Batendo portas e gritando
Mas, na verdade, não vivo sem você trem
É pra você que conto todos os meus segredos
Você é o ombro que me salva sempre que meu coração se quebra
E é cantando ao seu lado que ele se enche de alegria novamente
Tenho certeza que vou cuidar de você quando velho
Porque ninguém, nem seus filhos, vão agüentar o velho rabugento que você será
Mas, saiba, sempre estarei lá.
O nosso lar vai ser cítrico e doce.
Cheio das suas poesias. Do seu coração enorme.
Caminhando ao lado, TAMO JUNTO. Passo a passo.
Até que o sépia relembre os dias coloridos e os pretos e os brancos.
Tamo junto e é tudo nosso.
E é pra ele essa canção.
Às vezes quero te queimar
Me vejo tacando fogo e te jogando ao mar
Você sai com essa sua cara amarrada, azedo
Batendo portas e gritando
Mas, na verdade, não vivo sem você trem
É pra você que conto todos os meus segredos
Você é o ombro que me salva sempre que meu coração se quebra
E é cantando ao seu lado que ele se enche de alegria novamente
Tenho certeza que vou cuidar de você quando velho
Porque ninguém, nem seus filhos, vão agüentar o velho rabugento que você será
Mas, saiba, sempre estarei lá.
O nosso lar vai ser cítrico e doce.
Cheio das suas poesias. Do seu coração enorme.
Caminhando ao lado, TAMO JUNTO. Passo a passo.
Até que o sépia relembre os dias coloridos e os pretos e os brancos.
Tamo junto e é tudo nosso.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Tango
Numa noite dessas
em que se pode respirar o frio
Vem
Segura a minha mao
E vamos ali, em frente
Além
Me mostra o seu pior
Pra que o caminho em frente seja só felicidade
Vem com sarcásmo, ironia, vaidade....
Joga pro ar a verdade
E eu o respiro frio
Segura a minha mão e sobe
Esconde de mim todo o seu lado pobre
Diz que é de ouro o seu coração de cobre
Me cubra das suas angústias
Descubra sua insegurança
o seu lado fraco
E se esvazia
Me esvazia
Respira...
Levanta e me estende a mão
Me tira do chão e me faz dançar
Quem disse que ia acabar?
Assim?
Não, assim não!
Eu te dou minha mão
e acompanho o seu passo
Te mostro meu lado fraco
Depois meu lado franco
Depois me tranco
E saio
Respiro...
Assim?
Não, assim não quero não!
em que se pode respirar o frio
Vem
Segura a minha mao
E vamos ali, em frente
Além
Me mostra o seu pior
Pra que o caminho em frente seja só felicidade
Vem com sarcásmo, ironia, vaidade....
Joga pro ar a verdade
E eu o respiro frio
Segura a minha mão e sobe
Esconde de mim todo o seu lado pobre
Diz que é de ouro o seu coração de cobre
Me cubra das suas angústias
Descubra sua insegurança
o seu lado fraco
E se esvazia
Me esvazia
Respira...
Levanta e me estende a mão
Me tira do chão e me faz dançar
Quem disse que ia acabar?
Assim?
Não, assim não!
Eu te dou minha mão
e acompanho o seu passo
Te mostro meu lado fraco
Depois meu lado franco
Depois me tranco
E saio
Respiro...
Assim?
Não, assim não quero não!
segunda-feira, 23 de março de 2009
Outra de outros
Em uma noite de chuva e estrela:
- Abre essa porta, que direito você tem de me privar desse castelo que eu construí pra te guardar de todo mal,desse universo que eu desenhei pra nós ... pra nós.
Abre essa porta, não se faz de morta, diz o que é que foi. Já que eu armei tudo pra ti, já que eu cerquei tudo ao redor. Abre essa porta, vai, por favor,que eu sou teu homem... Viu.
Que eu sou teu homem vil.
- Cala esta boca que isso é coisa pouca perto do que passei. Eu que lavei os seus lençóis sujos de tantas outras paixões, que ignorei as outras muitas, muitas. Vai, depois liga diz pra sua irmã passar que eu vou mandar tudo que é seu que tem aqui. Tudo que eu não quero guardar que é pra esquecer de uma só vez que este castelo só me prendeu, viu ? Mas o universo hoje se expandiu. E aqui de dentro a porta se abriu.
- Abre essa porta, que direito você tem de me privar desse castelo que eu construí pra te guardar de todo mal,desse universo que eu desenhei pra nós ... pra nós.
Abre essa porta, não se faz de morta, diz o que é que foi. Já que eu armei tudo pra ti, já que eu cerquei tudo ao redor. Abre essa porta, vai, por favor,que eu sou teu homem... Viu.
Que eu sou teu homem vil.
- Cala esta boca que isso é coisa pouca perto do que passei. Eu que lavei os seus lençóis sujos de tantas outras paixões, que ignorei as outras muitas, muitas. Vai, depois liga diz pra sua irmã passar que eu vou mandar tudo que é seu que tem aqui. Tudo que eu não quero guardar que é pra esquecer de uma só vez que este castelo só me prendeu, viu ? Mas o universo hoje se expandiu. E aqui de dentro a porta se abriu.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Como se livrar de um Homem-Bomba
Bipolares, tripolares, mal educados, grossos, doidos.....são várias as qualidades que estouram na sua cara de uma hora para outra. Com o número cada vez maior de mulheres e homens-bomba prestes a explodir, aqui vão algumas dicas para você ouvir o tic-tac do cronômetro e fugir dessa roubada em tempo.
1- O Pinscher raivoso:
Ele é um doce! Gentil, carinhoso, alegre. Até que.... Do nada, como um cão que vê um espírito e resolve latir desgovernadamente, ele grita! Logo após o escândalo se dá conta do papelão e pede desculpas. A menos que você adore um feirante que grita no seu ouvido, pule fora. Se ele gritou com você, muito provavelmente, gritará novamente.
2- Tio Patinhas:
Vocês estão começando a sair e ele te convida para jantar. Você é uma mulher moderna e acha absolutamente normal dividir a conta (se você não acha, aprenda que não vivemos mais na época da sua avó), MAS... o rapaz querendo bancar o cavalheiro, faz questão de levar a facada sozinho. Você acha simpático e agradece. Nas saídas seguintes o indivíduo chega sem cerimônias e te cobra a sua parte da conta anterior. Sim, ele diz com todas as letras que você deve pagar a metade da conta que ele pagou sozinho. Tic-tac-tic-tac.....
3- Ele adora o “jeito do seu melhor amigo”:
Essa situação também serve para o sexo oposto.
Você tem um melhor amigo super presente e, a fim de estancar qualquer tentativa de ciúmes, já o apresenta de cara para o namorado novo. Surpreendentemente, o rapaz recebe o seu amigo de braços abertos. Eles passam a jogar futebol juntos, começam a fazer churrascos na sua casa juntos... Seu namorado resolve mudar para a academia do seu amigo. Em todos os programas que vocês fazem ele arranja um jeito de colocar o seu amigo no meio... Um belo dia seu amigo dá um toque do tipo “essa coca é fanta uva hein”. Você acha que é ciúmes de amigo, coisa normal....afinal de contas, ele sempre arranja um defeito para os seus namorados.... MEU AMOOOR respira e presta atenção: seu namorado é discípulo do Clodovil! Ou ele é muito carente....Em qualquer um desses casos, CORRE! Isso aí vai explodir um dia...
Então: escutou o tempo esgotando, coooooooorre!
1- O Pinscher raivoso:
Ele é um doce! Gentil, carinhoso, alegre. Até que.... Do nada, como um cão que vê um espírito e resolve latir desgovernadamente, ele grita! Logo após o escândalo se dá conta do papelão e pede desculpas. A menos que você adore um feirante que grita no seu ouvido, pule fora. Se ele gritou com você, muito provavelmente, gritará novamente.
2- Tio Patinhas:
Vocês estão começando a sair e ele te convida para jantar. Você é uma mulher moderna e acha absolutamente normal dividir a conta (se você não acha, aprenda que não vivemos mais na época da sua avó), MAS... o rapaz querendo bancar o cavalheiro, faz questão de levar a facada sozinho. Você acha simpático e agradece. Nas saídas seguintes o indivíduo chega sem cerimônias e te cobra a sua parte da conta anterior. Sim, ele diz com todas as letras que você deve pagar a metade da conta que ele pagou sozinho. Tic-tac-tic-tac.....
3- Ele adora o “jeito do seu melhor amigo”:
Essa situação também serve para o sexo oposto.
Você tem um melhor amigo super presente e, a fim de estancar qualquer tentativa de ciúmes, já o apresenta de cara para o namorado novo. Surpreendentemente, o rapaz recebe o seu amigo de braços abertos. Eles passam a jogar futebol juntos, começam a fazer churrascos na sua casa juntos... Seu namorado resolve mudar para a academia do seu amigo. Em todos os programas que vocês fazem ele arranja um jeito de colocar o seu amigo no meio... Um belo dia seu amigo dá um toque do tipo “essa coca é fanta uva hein”. Você acha que é ciúmes de amigo, coisa normal....afinal de contas, ele sempre arranja um defeito para os seus namorados.... MEU AMOOOR respira e presta atenção: seu namorado é discípulo do Clodovil! Ou ele é muito carente....Em qualquer um desses casos, CORRE! Isso aí vai explodir um dia...
Então: escutou o tempo esgotando, coooooooorre!
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
A primeira vez de Beatriz Rose
ATENÇÃO! Só comece a ler a história quando a música estiver carregada. Dê o play e, só então, comece a leitura. No segundo link a mesma coisa: espere a música carregar e depois leia a outra parte.
http://www.youtube.com/watch?v=s0ZPTFfpO40
Beatriz Rose sempre foi uma menina fora do padrão. Seus pais, um japonês e uma italiana, eram diplomatas e, por conta disso, Bee (seu apelido desde pequena) viajou o mundo quase inteiro.
Tinha paixão por girafas e achava barata o ser mais genial do mundo. Uma categoria sobrevivente, segundo ela.
Agora, morando no Rio, Bee estudava em uma escola na Barra. Morava em um condomínio de classe alta e ocupava a vida com cursos de pintura, aulas de bateria e hípica. Aos finais de semana saía com as amigas para dançar, comer ou ir ao cinema. Ela se interessava, particularmente, por filmes europeus. Raramente aceitava os convites para passar o dia torrando na praia. Bee era branquinha e sofria como um pimentão na grelha quando tomava sol. Nos dias de amigas na praia ela aproveitava para passar o dia com o irmão -pra ela, um poço cultural sem fundos- e aprender algo sobre o restaurante que ele acabara de abrir no Rio, ou sobre as músicas de todos os tipos que ele a apresentava. Foi ele seu principal incentivador para as aulas de bateria.
Novembro estava se aproximando e Bee organizava com as amigas a sua festa de aniversário. Queria uma festa grande já que seus últimos 3 aniversários foram comemorados dentro de aviões em mudanças de países. Na semana anterior a festa sua lista de convidados tinha 400 pessoas. Bee morava há pouco tempo no Rio, mas tinha um poder de sociabilidade incrível. Até uns amigos de outros países vinham para a festa.
Dia 08 de Novembro. Bee acorda com seu irmão ao pulos na sua cama. Seu quarto está cheio de balõezinhos infláveis e um mini bolo branco com bolinhas rosas e laranjas e recheio de brigadeiro, que ele havia feito pra ela. O Rio estava ensolarado e o Cristo estava de braços abertos para aquele abraço de aniversário. Bee foi até a varanda de seu quarto, olhou o mar e resolveu que, a partir daquele dia, moraria no Rio pra sempre. Em nenhum lugar do mundo ela sentiu a alegria que sentia naquele momento. Colocou um short e uma regata e foi, descalça e sem protetor, dar um mergulho naquele mar que batia palmas para ela. A água congelante do mar do Rio de Janeiro fazia seu queixo bater, mas aquela era uma das melhores sensações do mundo. Flutuando e sendo levada pelas ondas, Bee ficou de olhos fechados um tempo curtindo com o universo o seu nascimento, 17 anos antes. Encontrou alguns conhecidos na praia e avisou sobre a festa que daria hoje. Já eram quase quinhentos convidados.
Almoçou com as amigas mais chegadas. Dava pra ver nos olhos verdes de Bee a sua alegria. A conversa de quase todo o almoço girou em torno da festa e dos pretendentes que estariam lá. Bee era a única da mesa que não tinha um par armado para a noite. Ela era tímida e, desde que chegou ao Rio, ficou só com um menino que era lindo, mas que nunca ligou pra ela depois. Mas isso não abalava em nada a sua felicidade. O foco da noite era comemorar e dançar. Ela adorava dançar.
Chegou em casa e ajudou na organização das últimas coisas da festa. A casa estava cheia de velas pelo jardim, a estrutura da pista de dança estava pronta, a comida viria do restaurante do seu irmão e a bebida chegava em caixas e mais caixas. O sol começava a se pôr e a decoração ficava ainda mais linda. O Dj chegou no começo da noite e Bee certificou-se de que todas as suas músicas preferidas estavam na lista. Estava tudo pronto. Ela subiu para o seu quarto e entrou no banho. Começou a sentir um frio na barriga. Pegou o vestido que já estava separado e se vestiu cantando e fazendo passinhos de dança. Acabou de se maquiar e sorriu como se o Brad Pitt estivesse a sua frente. Desceu e cumprimentou alguns convidados dos seus pais que já haviam chegado. Ao poucos a festa foi lotando e Bee estava aos goles de alegria, dançando e rindo com suas amigas.
Rodrigo, um amigo da hípica chegou por trás e fechou seus olhos com as mãos. "A única pessoa que faz isso é o Rodrigo!" E virou-se sorrindo de braços abertos. Ao abraçar Rodrigo, Bee viu que logo atrás dele estava um dos meninos mais lindos que ela já tinha visto. Sem perceber, deu o mesmo sorriso de horas atrás, na frente do espelho. Era João, o primo que Rodrigo disse que levaria à festa. Ele foi abraçá-la e dar os parabéns. De repente a sua desenvoltura sumiu e ela conseguiu apenas fazer um ruído de agradecimento. "aaaaaaaaãn, obrigada." Ela voltou para a roda de dança e ficou observando João de longe. Ele dançava e sorria como se a festa fosse a comemoração ao seu aniversário.
Taças de champagne mais tarde toda a pista de dança tinha virado uma imensa roda. João foi para o lado de Bee e puxava sua mão para fazerem passos bizarros a cada música. Ele tinha um jeito parecido com o do irmão de Bee. Isso era encantador e engraçado. Os dois estavam dançando, quando João a chamou para pegar outra taça. Com as taças cheias Bee pegou a mão de João e os dois foram para uma parte do jardim que não fazia parte da festa. Viraram as taças e se beijaram. Aquele era o melhor presente de aniversário da noite até agora.
Os dias se passavam e João e Bee se viam sempre. Ele morava em Ipanema e inventava desculpas para dirigir até a Barra, todos os dias. Ele adorava cozinhar, então logo ficou amigo do irmão de Bee, que apoiava o romance. Os dois adoravam os filmes europeus de um cinema antigo em Copacabana. João, que desenhava super bem, começou a pintar com Bee. Ela tocava bateria enquanto ele tocava guitarra e cantava. Os dois inventavam receitas juntos. Ele preferia fazer sobremesas, ela era apaixonada por massas e carnes.
O ano está acabando e os pais de Bee resolvem passar a virada no Rio. O pai de João é dono de uma rede de hotéis no Rio e todo réveillon dá uma festa com vista para queima de fogos. João sempre preferiu passar a virada na praia, mas esse ano convidou Bee para a festa. Festa lotada de gente que Bee conhecia, ela dançava e sorria como se a festa fosse em sua casa. Ela pede mais uma taça para João. Ele pega duas garrafas e puxa a sua mão. Os dois fogem da festa.
=> http://www.youtube.com/watch?v=MJfQXS1hKDo
11:50 pm: João e Bee chegam a uma parte deserta do Arpoador. João havia pedido para Rodrigo o ajudar a montar uma tenda afastada da praia, com umas almofadas e velas. Rodrigo, megalomaníaco arrumou um bangalô com espaço para abrigar uma família e decorou com velas e almofadas brancas. Um balde de gelo com champagne estava na entrada da "tenda" com a caixa dos docinhos preferidos de Bee ao lado. João colocou as outras duas garrafas no balde e entregou a caixa de docinhos para Bee. "Os docinhos são pra depois". Aquela frase congelou o estômago de Bee. Ela sabia o significado que "depois” tinha. Finalmente, os finalmente! João, percebendo o nervosismo, quis tranqüilizá-la e disse que não precisaria ser naquela noite. Ele esperaria o tempo que fosse preciso. Bee respirou fundo, tirou uma das garrafas do gelo, entregou para João abrir e disse olhando nos olhos dele: Eu quero. Muito. Ele e a champagne explodiram.
Ele serviu uma taça para cada um e sentou-se ao lado dela, sobre uma almofada. Passou a mão sobre uma mecha de cabelo que estava no seu rosto, sorriu e a beijou. Levantou-se e estendeu a mão para que ela se levantasse. Ela sorriu e segurou sua mão. Ele começou a beijá-la devagar e começou a dançar como se tocasse uma música lenta. Ela o abraçou do mesmo jeito que o havia abraçado no dia da sua festa. Seu coração saia pela boca. Ela deu um passo pra trás e olhou para ele sorrindo. Ele sorriu e levantou os dois braços. Ela tirou a sua camiseta e abriu a sua calça. Virou-se para que ele desabotoasse seu vestido. A cada botão ele beijava seu pescoço. Ela se virou. A sensação do mar congelante do Rio de Janeiro já não era mais a melhor sensação do mundo... Abraçou João tão forte como se ele e ela fossem fundir um corpo só. Ele a carregou e deitou sobre as almofadas. Os fogos começaram a explodir no céu....
CONTINUA...
http://www.youtube.com/watch?v=s0ZPTFfpO40
Beatriz Rose sempre foi uma menina fora do padrão. Seus pais, um japonês e uma italiana, eram diplomatas e, por conta disso, Bee (seu apelido desde pequena) viajou o mundo quase inteiro.
Tinha paixão por girafas e achava barata o ser mais genial do mundo. Uma categoria sobrevivente, segundo ela.
Agora, morando no Rio, Bee estudava em uma escola na Barra. Morava em um condomínio de classe alta e ocupava a vida com cursos de pintura, aulas de bateria e hípica. Aos finais de semana saía com as amigas para dançar, comer ou ir ao cinema. Ela se interessava, particularmente, por filmes europeus. Raramente aceitava os convites para passar o dia torrando na praia. Bee era branquinha e sofria como um pimentão na grelha quando tomava sol. Nos dias de amigas na praia ela aproveitava para passar o dia com o irmão -pra ela, um poço cultural sem fundos- e aprender algo sobre o restaurante que ele acabara de abrir no Rio, ou sobre as músicas de todos os tipos que ele a apresentava. Foi ele seu principal incentivador para as aulas de bateria.
Novembro estava se aproximando e Bee organizava com as amigas a sua festa de aniversário. Queria uma festa grande já que seus últimos 3 aniversários foram comemorados dentro de aviões em mudanças de países. Na semana anterior a festa sua lista de convidados tinha 400 pessoas. Bee morava há pouco tempo no Rio, mas tinha um poder de sociabilidade incrível. Até uns amigos de outros países vinham para a festa.
Dia 08 de Novembro. Bee acorda com seu irmão ao pulos na sua cama. Seu quarto está cheio de balõezinhos infláveis e um mini bolo branco com bolinhas rosas e laranjas e recheio de brigadeiro, que ele havia feito pra ela. O Rio estava ensolarado e o Cristo estava de braços abertos para aquele abraço de aniversário. Bee foi até a varanda de seu quarto, olhou o mar e resolveu que, a partir daquele dia, moraria no Rio pra sempre. Em nenhum lugar do mundo ela sentiu a alegria que sentia naquele momento. Colocou um short e uma regata e foi, descalça e sem protetor, dar um mergulho naquele mar que batia palmas para ela. A água congelante do mar do Rio de Janeiro fazia seu queixo bater, mas aquela era uma das melhores sensações do mundo. Flutuando e sendo levada pelas ondas, Bee ficou de olhos fechados um tempo curtindo com o universo o seu nascimento, 17 anos antes. Encontrou alguns conhecidos na praia e avisou sobre a festa que daria hoje. Já eram quase quinhentos convidados.
Almoçou com as amigas mais chegadas. Dava pra ver nos olhos verdes de Bee a sua alegria. A conversa de quase todo o almoço girou em torno da festa e dos pretendentes que estariam lá. Bee era a única da mesa que não tinha um par armado para a noite. Ela era tímida e, desde que chegou ao Rio, ficou só com um menino que era lindo, mas que nunca ligou pra ela depois. Mas isso não abalava em nada a sua felicidade. O foco da noite era comemorar e dançar. Ela adorava dançar.
Chegou em casa e ajudou na organização das últimas coisas da festa. A casa estava cheia de velas pelo jardim, a estrutura da pista de dança estava pronta, a comida viria do restaurante do seu irmão e a bebida chegava em caixas e mais caixas. O sol começava a se pôr e a decoração ficava ainda mais linda. O Dj chegou no começo da noite e Bee certificou-se de que todas as suas músicas preferidas estavam na lista. Estava tudo pronto. Ela subiu para o seu quarto e entrou no banho. Começou a sentir um frio na barriga. Pegou o vestido que já estava separado e se vestiu cantando e fazendo passinhos de dança. Acabou de se maquiar e sorriu como se o Brad Pitt estivesse a sua frente. Desceu e cumprimentou alguns convidados dos seus pais que já haviam chegado. Ao poucos a festa foi lotando e Bee estava aos goles de alegria, dançando e rindo com suas amigas.
Rodrigo, um amigo da hípica chegou por trás e fechou seus olhos com as mãos. "A única pessoa que faz isso é o Rodrigo!" E virou-se sorrindo de braços abertos. Ao abraçar Rodrigo, Bee viu que logo atrás dele estava um dos meninos mais lindos que ela já tinha visto. Sem perceber, deu o mesmo sorriso de horas atrás, na frente do espelho. Era João, o primo que Rodrigo disse que levaria à festa. Ele foi abraçá-la e dar os parabéns. De repente a sua desenvoltura sumiu e ela conseguiu apenas fazer um ruído de agradecimento. "aaaaaaaaãn, obrigada." Ela voltou para a roda de dança e ficou observando João de longe. Ele dançava e sorria como se a festa fosse a comemoração ao seu aniversário.
Taças de champagne mais tarde toda a pista de dança tinha virado uma imensa roda. João foi para o lado de Bee e puxava sua mão para fazerem passos bizarros a cada música. Ele tinha um jeito parecido com o do irmão de Bee. Isso era encantador e engraçado. Os dois estavam dançando, quando João a chamou para pegar outra taça. Com as taças cheias Bee pegou a mão de João e os dois foram para uma parte do jardim que não fazia parte da festa. Viraram as taças e se beijaram. Aquele era o melhor presente de aniversário da noite até agora.
Os dias se passavam e João e Bee se viam sempre. Ele morava em Ipanema e inventava desculpas para dirigir até a Barra, todos os dias. Ele adorava cozinhar, então logo ficou amigo do irmão de Bee, que apoiava o romance. Os dois adoravam os filmes europeus de um cinema antigo em Copacabana. João, que desenhava super bem, começou a pintar com Bee. Ela tocava bateria enquanto ele tocava guitarra e cantava. Os dois inventavam receitas juntos. Ele preferia fazer sobremesas, ela era apaixonada por massas e carnes.
O ano está acabando e os pais de Bee resolvem passar a virada no Rio. O pai de João é dono de uma rede de hotéis no Rio e todo réveillon dá uma festa com vista para queima de fogos. João sempre preferiu passar a virada na praia, mas esse ano convidou Bee para a festa. Festa lotada de gente que Bee conhecia, ela dançava e sorria como se a festa fosse em sua casa. Ela pede mais uma taça para João. Ele pega duas garrafas e puxa a sua mão. Os dois fogem da festa.
=> http://www.youtube.com/watch?v=MJfQXS1hKDo
11:50 pm: João e Bee chegam a uma parte deserta do Arpoador. João havia pedido para Rodrigo o ajudar a montar uma tenda afastada da praia, com umas almofadas e velas. Rodrigo, megalomaníaco arrumou um bangalô com espaço para abrigar uma família e decorou com velas e almofadas brancas. Um balde de gelo com champagne estava na entrada da "tenda" com a caixa dos docinhos preferidos de Bee ao lado. João colocou as outras duas garrafas no balde e entregou a caixa de docinhos para Bee. "Os docinhos são pra depois". Aquela frase congelou o estômago de Bee. Ela sabia o significado que "depois” tinha. Finalmente, os finalmente! João, percebendo o nervosismo, quis tranqüilizá-la e disse que não precisaria ser naquela noite. Ele esperaria o tempo que fosse preciso. Bee respirou fundo, tirou uma das garrafas do gelo, entregou para João abrir e disse olhando nos olhos dele: Eu quero. Muito. Ele e a champagne explodiram.
Ele serviu uma taça para cada um e sentou-se ao lado dela, sobre uma almofada. Passou a mão sobre uma mecha de cabelo que estava no seu rosto, sorriu e a beijou. Levantou-se e estendeu a mão para que ela se levantasse. Ela sorriu e segurou sua mão. Ele começou a beijá-la devagar e começou a dançar como se tocasse uma música lenta. Ela o abraçou do mesmo jeito que o havia abraçado no dia da sua festa. Seu coração saia pela boca. Ela deu um passo pra trás e olhou para ele sorrindo. Ele sorriu e levantou os dois braços. Ela tirou a sua camiseta e abriu a sua calça. Virou-se para que ele desabotoasse seu vestido. A cada botão ele beijava seu pescoço. Ela se virou. A sensação do mar congelante do Rio de Janeiro já não era mais a melhor sensação do mundo... Abraçou João tão forte como se ele e ela fossem fundir um corpo só. Ele a carregou e deitou sobre as almofadas. Os fogos começaram a explodir no céu....
CONTINUA...
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Eu nunca poderia ser piscóloga - Episódio I
Estava eu, assistindo Sex Talk (aquele da GNT) quando uma telespectadora liga com a seguinte dúvida: "O que posso fazer para aliviar o gosto ruim da ejaculação do meu marido? Algumas vezes sinto vontade de vomitar." Afirma a senhora do Estado de Nevada.
Sue Johanson responde de maneira calma e dá dicas como quem indica um remédio para dor de cabeça. Eu pensei, "que mulher inabalável a Sue, nem uma risadinha..."se fosse ela, responderia:
"Minha senhora, se a porra do seu marido não soube segurar a porra e ela está na sua boca, sem aviso prévio, cuspa a porra na cara do porra, porra."
Eu nunca poderia ser piscóloga.
Sue Johanson responde de maneira calma e dá dicas como quem indica um remédio para dor de cabeça. Eu pensei, "que mulher inabalável a Sue, nem uma risadinha..."se fosse ela, responderia:
"Minha senhora, se a porra do seu marido não soube segurar a porra e ela está na sua boca, sem aviso prévio, cuspa a porra na cara do porra, porra."
Eu nunca poderia ser piscóloga.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Eu, você e Ele.
Para alguns eu sou o presente ou o futuro.
Todos são pra mim, o presente do passado.
Pra ele eu não sei o que sou.
Ele. Sempre sorrindo. Sempre falante.
Me aperta e morde. Faz carinho e abraça.
Ele equilibra o meu desequilíbrio.
Pra ele eu não sei o que sou. Ele, pra mim, eu não sei o que é.
Você que chega e vai embora. Que muda tudo. Que desequilibra o meu equilíbrio.
Me deixa sem ar e vermelha. Que é tão quente quanto o meu abraço.
Você, que uma vez eu soube o que era. E que agora já não sei mais.
Eu, que sinto você quando estou com ele.
Que aperto, mordo, faço carinho, abraço, chego, vou embora e mudo tudo.
Equilibro-me com você e ele.
Ele, vem e me chama.
Eu, largando tudo, vou.
Você, amor, agora que voltou não vá.
Todos são pra mim, o presente do passado.
Pra ele eu não sei o que sou.
Ele. Sempre sorrindo. Sempre falante.
Me aperta e morde. Faz carinho e abraça.
Ele equilibra o meu desequilíbrio.
Pra ele eu não sei o que sou. Ele, pra mim, eu não sei o que é.
Você que chega e vai embora. Que muda tudo. Que desequilibra o meu equilíbrio.
Me deixa sem ar e vermelha. Que é tão quente quanto o meu abraço.
Você, que uma vez eu soube o que era. E que agora já não sei mais.
Eu, que sinto você quando estou com ele.
Que aperto, mordo, faço carinho, abraço, chego, vou embora e mudo tudo.
Equilibro-me com você e ele.
Ele, vem e me chama.
Eu, largando tudo, vou.
Você, amor, agora que voltou não vá.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
"Eu dei o perdido em mim mesmo"
No encontro de duas ou mais cabeças ativas, frases purpurinadas surgem. Algumas das preferidas que ouvi ou falei.
"O Marwin taí"
"Eu tava LOOOOST" Dita com uma voz bêbada/ pato rouco/ além-túmulo.
"Então vamos, porque agora é!" e a gêmea "Aponta pra fé e rema"
"Esse azeite é muito grande, me intimida"
"MADE IN CORRRRDOBA"
"Vamos vomitar e beijar?" "Vamos!"
"Eu queria mesmo, era ser o Tchan!"
"Ela parece o Corcovado e o Pão de açúcar"
"Não é destino, é resto"
"Essa vida é uma só"
"Então levanta o braço de grita foda-se"
"Ta, você não precisa pegar no meu peito pra perguntar onde a minha prima está"
"Saí do Rock e fui pro Tai-chi"
"Eu tô adorando esse sentimento que eu tô sentindo." Rapaz, suspostamente heterosexual no Beirute.
"Tô entrando de malandro nesse romance"
"Você é o cara mais gaaaaato que eu já peguei!kkkkkkkkk"
"A gorda parecia o tio Doda sem bigode. Até as amigas dela me sacanearam quando eu beijei."
"Caríssimo, eu acho que ela ta pagando um pra ele. A gente bate no vidro ou chama um taxi?" Frase dita, com voz de naturalidade, por uma mocinha que via a amiga capotada no colo do peguete dentro do seu carro. (momentos antes da capotada soltar a primeira frase da lista).
"Não tente secar seu celular no microondas."
"Essa vida é uma só."
"Ele é o meu unicórnio."
"Este lado para cima. De mim."
"O Marwin taí"
"Eu tava LOOOOST" Dita com uma voz bêbada/ pato rouco/ além-túmulo.
"Então vamos, porque agora é!" e a gêmea "Aponta pra fé e rema"
"Esse azeite é muito grande, me intimida"
"MADE IN CORRRRDOBA"
"Vamos vomitar e beijar?" "Vamos!"
"Eu queria mesmo, era ser o Tchan!"
"Ela parece o Corcovado e o Pão de açúcar"
"Não é destino, é resto"
"Essa vida é uma só"
"Então levanta o braço de grita foda-se"
"Ta, você não precisa pegar no meu peito pra perguntar onde a minha prima está"
"Saí do Rock e fui pro Tai-chi"
"Eu tô adorando esse sentimento que eu tô sentindo." Rapaz, suspostamente heterosexual no Beirute.
"Tô entrando de malandro nesse romance"
"Você é o cara mais gaaaaato que eu já peguei!kkkkkkkkk"
"A gorda parecia o tio Doda sem bigode. Até as amigas dela me sacanearam quando eu beijei."
"Caríssimo, eu acho que ela ta pagando um pra ele. A gente bate no vidro ou chama um taxi?" Frase dita, com voz de naturalidade, por uma mocinha que via a amiga capotada no colo do peguete dentro do seu carro. (momentos antes da capotada soltar a primeira frase da lista).
"Não tente secar seu celular no microondas."
"Essa vida é uma só."
"Ele é o meu unicórnio."
"Este lado para cima. De mim."
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Fatboy Slim is fucking in heaven
Certa ocasião entrei na "sala" de uma vidente e ela me disse, sorrindo: "Você acabou de entrar na fase mais bonita da sua vida."
Eu, fui sentando, e respondi: "Isso eu já sei."
Não sei porque, lembrei disso ao esperar o meu portão abrir. Vim pra casa escutando Fatboy Slim no volume mais alto do carro. O vidro tremia. Eu tremia e meu coração pulava.
Cinco doses de vodka faziam o efeito de 5 ácidos. Eu podia ver as gotas dançando no vidro do meu carro. Mudando de cor. Após cada música, meu coração dava uma paradinha para descansar. Entre um descanso e outro eu lembrava do rapaz que vi "dar uma morridinha" no carro ao lado do meu. Ele era um estagiário. Merecia a dor de cabeça do dia seguinte.
Na verdade, não era nesse rapaz que eu pensava. Na volta das batidas, meu corpo voltava á vida pensando no rapaz com o qual eu tinha apostado corrida até chegar em casa. A música no último volume me impedia de ouvir a voz que sempre me fala: "desapego! Desapego! Desapego!"
Eu não ouvi a voz. Eu beijei pegando no cabelo e sorrindo. Eu fechei os olhos e me libertei. Ou me prendi. Eu pulei. Eu não ouvi a voz. Eu apostei corrida. Eu ri das curvas mal feitas. Eu ri dos pardais disparados. A vinda pareceu uma perseguição de paparazi, muitos e muitos flashes.
Eu ria e dançava e corria e cantava e lembrava e ria. Dei a ré quando o portão estava aberto até a metade. Eu não queria dormir. A voz ia voltar ao acordar. Subi a rua procurando o celular. Ele não queria dormir também. Marquei outra corrida. Ele aceitou.
Acelerei até o motor ameaçar fundir. Abri todas as janelas para me sentir em uma tempestade. Aumentei ainda mais o volume. Agora, eu estava surda de vez. Os pardais da ida eram tão luminosos quanto os da volta. Eu ria dos flashes. Eles eram os raios da minha tempestade. Eu vi o carro dele. Estava logo depois do sinal. Amarelo, vermelho. "Vou passar." Acelerei. Ao olhar para a direita vejo um ônibus tentando freiar. Ele não conseguiu. Tento acelerar mais. Eu não consegui. Minha porta explode. E eu explodo ao som de Fatboy Slim. As gotas continuavam dançando, mas agora eram só de uma cor. O vermelho escorrendo em tudo.
Eu era uma estagiária. Merecia a dor de cabeça do dia seguinte. Essa vida era bela e uma só. E a minha acabava ali.
Eu, fui sentando, e respondi: "Isso eu já sei."
Não sei porque, lembrei disso ao esperar o meu portão abrir. Vim pra casa escutando Fatboy Slim no volume mais alto do carro. O vidro tremia. Eu tremia e meu coração pulava.
Cinco doses de vodka faziam o efeito de 5 ácidos. Eu podia ver as gotas dançando no vidro do meu carro. Mudando de cor. Após cada música, meu coração dava uma paradinha para descansar. Entre um descanso e outro eu lembrava do rapaz que vi "dar uma morridinha" no carro ao lado do meu. Ele era um estagiário. Merecia a dor de cabeça do dia seguinte.
Na verdade, não era nesse rapaz que eu pensava. Na volta das batidas, meu corpo voltava á vida pensando no rapaz com o qual eu tinha apostado corrida até chegar em casa. A música no último volume me impedia de ouvir a voz que sempre me fala: "desapego! Desapego! Desapego!"
Eu não ouvi a voz. Eu beijei pegando no cabelo e sorrindo. Eu fechei os olhos e me libertei. Ou me prendi. Eu pulei. Eu não ouvi a voz. Eu apostei corrida. Eu ri das curvas mal feitas. Eu ri dos pardais disparados. A vinda pareceu uma perseguição de paparazi, muitos e muitos flashes.
Eu ria e dançava e corria e cantava e lembrava e ria. Dei a ré quando o portão estava aberto até a metade. Eu não queria dormir. A voz ia voltar ao acordar. Subi a rua procurando o celular. Ele não queria dormir também. Marquei outra corrida. Ele aceitou.
Acelerei até o motor ameaçar fundir. Abri todas as janelas para me sentir em uma tempestade. Aumentei ainda mais o volume. Agora, eu estava surda de vez. Os pardais da ida eram tão luminosos quanto os da volta. Eu ria dos flashes. Eles eram os raios da minha tempestade. Eu vi o carro dele. Estava logo depois do sinal. Amarelo, vermelho. "Vou passar." Acelerei. Ao olhar para a direita vejo um ônibus tentando freiar. Ele não conseguiu. Tento acelerar mais. Eu não consegui. Minha porta explode. E eu explodo ao som de Fatboy Slim. As gotas continuavam dançando, mas agora eram só de uma cor. O vermelho escorrendo em tudo.
Eu era uma estagiária. Merecia a dor de cabeça do dia seguinte. Essa vida era bela e uma só. E a minha acabava ali.
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