
Roberto era um menino pequeno para sua idade.
Aos onze anos parecia ter nove. Era magrelo, loirinho, com dentinhos pequenos...
O que, para muitos teria sido trauma de infância, para Roberto foi o seu diferencial com as mulheres. Desde pequeno era aquele menino fofinho que todas cuidavam com carinho. Betinho era o xodó das amigas de sua irmã mais velha.
Estudava pela manhã e à tarde descia para brincar com os seus comparsas do bloco. Adorava jogar bola e fabricava os melhores estilingues- mesmos que eram exportados para o bloco vizinho de maneira secreta- era sempre o padre nas festas juninas da quadra e preferia ser ladrão a policial, no polícia-ladrão.
Rafael, seu melhor amigo, era como um irmão adotado. Viviam juntos pra cima e pra baixo. Por ser bem mais alto e forte Rafael vivia defendendo Roberto das brigas compradas em cada partida ou “guerra” entre blocos. Nas festas juninas ele nunca dançava. Rafael era tímido e reservado.
Em uma tarde de domingo os dois amigos estavam embaixo do bloco quando viram um caminhão de mudança estacionando no bloco à frente. Logo atrás vinha um carro branco perolado. Descem do carro um senhor baixinho, uma morena escultural e uma menina que, certamente, era filha daquela senhora. Era Beatriz, seu pai e Dona Clara, sua mãe. Eles vinham do Rio de Janeiro para Brasília e eram os novos moradores do bloco vizinho. Os dois rapazes se ofereceram para ajudar na mudança. Beatriz era uma menina de treze anos bem desenvolta e logo fez amizade com os dois meninos que não conseguiam esconder a euforia em conhecê-la. Aquela era uma tarde de domingo mais feliz.
Para fugir do clima seco, Bia ia semanalmente ao Iate Clube de Brasília. O que fez com que Betinho, Rafael e os outros meninos da quadra também se associassem ao clube. Eram horas e horas nas piscinas e toboáguas.
O tempo foi passando e Bia e Betinho ficaram cada vez mais amigos. A desenvoltura do menino fez com que a menina se tornasse íntima. E, como era de se esperar, os dois logo se sentiram atraídos... Mas Betinho nunca havia beijado ninguém. Eram onze anos de expectativa e inexperiência. Tenso, o menino foi trocar confidências com o melhor amigo:
- Tô sentindo que vai rolar um beijo, Rafa. Porra, ela Vai ver que eu sou B.V!
-Vai mesmo. Tá f*****.
-E agora?
-Meu irmão, treina na laranja! Pega uma laranja, parte ao meio e solta a língua. Mas espreme um pouco antes, pra ficar molinha.
E assim foram os dias seguintes de Betinho. O menino chupou uma dúzia de laranjas até o domingo ensolarado chegar e ele e Bia se encontrarem no clube. Ela estava na lanchonete quando ele chegou. Ele e Rafael pediram uma coca e foram dar um mergulho. Ela acabou seu sanduíche e se juntou a eles. Betinho e Rafa já tinham combinado tudo: depois de nadar um pouco, Rafael ia tomar sol e deixar os dois sozinhos. Ele saiu da piscina e foi para as esteiras. Betinho respirou fundo e propôs:
-Bia, vamos fingir que eu me afoguei e você me salva? Tipo assim, respiração boca a boca.
Bia, com sua sagacidade carioca, riu e disse:
-Salvamento não, porque um sempre ta desmaiado. Tenho uma brincadeira melhor. Você conhece salada mista?
Betinho ficou paralisado com a resposta da menina. Ele tinha pensado em todas as respostas para sua pergunta, menos aquela. Ele ia beijar MESMO e ia ser naquela hora. Mais uma vez respirou fundo e foi nadando pra perto dela, no estilo cachorrinho.
Ele cuspiu a água que estava na boca e segurou a mão de Bia. Ela deu um mergulho para tirar o aparelho móvel e subiu com a graciosidade de uma garota do fantástico que sai da água em câmera lenta.
Aos onze anos parecia ter nove. Era magrelo, loirinho, com dentinhos pequenos...
O que, para muitos teria sido trauma de infância, para Roberto foi o seu diferencial com as mulheres. Desde pequeno era aquele menino fofinho que todas cuidavam com carinho. Betinho era o xodó das amigas de sua irmã mais velha.
Estudava pela manhã e à tarde descia para brincar com os seus comparsas do bloco. Adorava jogar bola e fabricava os melhores estilingues- mesmos que eram exportados para o bloco vizinho de maneira secreta- era sempre o padre nas festas juninas da quadra e preferia ser ladrão a policial, no polícia-ladrão.
Rafael, seu melhor amigo, era como um irmão adotado. Viviam juntos pra cima e pra baixo. Por ser bem mais alto e forte Rafael vivia defendendo Roberto das brigas compradas em cada partida ou “guerra” entre blocos. Nas festas juninas ele nunca dançava. Rafael era tímido e reservado.
Em uma tarde de domingo os dois amigos estavam embaixo do bloco quando viram um caminhão de mudança estacionando no bloco à frente. Logo atrás vinha um carro branco perolado. Descem do carro um senhor baixinho, uma morena escultural e uma menina que, certamente, era filha daquela senhora. Era Beatriz, seu pai e Dona Clara, sua mãe. Eles vinham do Rio de Janeiro para Brasília e eram os novos moradores do bloco vizinho. Os dois rapazes se ofereceram para ajudar na mudança. Beatriz era uma menina de treze anos bem desenvolta e logo fez amizade com os dois meninos que não conseguiam esconder a euforia em conhecê-la. Aquela era uma tarde de domingo mais feliz.
Para fugir do clima seco, Bia ia semanalmente ao Iate Clube de Brasília. O que fez com que Betinho, Rafael e os outros meninos da quadra também se associassem ao clube. Eram horas e horas nas piscinas e toboáguas.
O tempo foi passando e Bia e Betinho ficaram cada vez mais amigos. A desenvoltura do menino fez com que a menina se tornasse íntima. E, como era de se esperar, os dois logo se sentiram atraídos... Mas Betinho nunca havia beijado ninguém. Eram onze anos de expectativa e inexperiência. Tenso, o menino foi trocar confidências com o melhor amigo:
- Tô sentindo que vai rolar um beijo, Rafa. Porra, ela Vai ver que eu sou B.V!
-Vai mesmo. Tá f*****.
-E agora?
-Meu irmão, treina na laranja! Pega uma laranja, parte ao meio e solta a língua. Mas espreme um pouco antes, pra ficar molinha.
E assim foram os dias seguintes de Betinho. O menino chupou uma dúzia de laranjas até o domingo ensolarado chegar e ele e Bia se encontrarem no clube. Ela estava na lanchonete quando ele chegou. Ele e Rafael pediram uma coca e foram dar um mergulho. Ela acabou seu sanduíche e se juntou a eles. Betinho e Rafa já tinham combinado tudo: depois de nadar um pouco, Rafael ia tomar sol e deixar os dois sozinhos. Ele saiu da piscina e foi para as esteiras. Betinho respirou fundo e propôs:
-Bia, vamos fingir que eu me afoguei e você me salva? Tipo assim, respiração boca a boca.
Bia, com sua sagacidade carioca, riu e disse:
-Salvamento não, porque um sempre ta desmaiado. Tenho uma brincadeira melhor. Você conhece salada mista?
Betinho ficou paralisado com a resposta da menina. Ele tinha pensado em todas as respostas para sua pergunta, menos aquela. Ele ia beijar MESMO e ia ser naquela hora. Mais uma vez respirou fundo e foi nadando pra perto dela, no estilo cachorrinho.
Ele cuspiu a água que estava na boca e segurou a mão de Bia. Ela deu um mergulho para tirar o aparelho móvel e subiu com a graciosidade de uma garota do fantástico que sai da água em câmera lenta.

Aqueles quinze segundos são até hoje relembrados com carinho por Betinho. Naquele ano ele foi o noivo da festa junina da quadra.
