Certa ocasião entrei na "sala" de uma vidente e ela me disse, sorrindo: "Você acabou de entrar na fase mais bonita da sua vida."
Eu, fui sentando, e respondi: "Isso eu já sei."
Não sei porque, lembrei disso ao esperar o meu portão abrir. Vim pra casa escutando Fatboy Slim no volume mais alto do carro. O vidro tremia. Eu tremia e meu coração pulava.
Cinco doses de vodka faziam o efeito de 5 ácidos. Eu podia ver as gotas dançando no vidro do meu carro. Mudando de cor. Após cada música, meu coração dava uma paradinha para descansar. Entre um descanso e outro eu lembrava do rapaz que vi "dar uma morridinha" no carro ao lado do meu. Ele era um estagiário. Merecia a dor de cabeça do dia seguinte.
Na verdade, não era nesse rapaz que eu pensava. Na volta das batidas, meu corpo voltava á vida pensando no rapaz com o qual eu tinha apostado corrida até chegar em casa. A música no último volume me impedia de ouvir a voz que sempre me fala: "desapego! Desapego! Desapego!"
Eu não ouvi a voz. Eu beijei pegando no cabelo e sorrindo. Eu fechei os olhos e me libertei. Ou me prendi. Eu pulei. Eu não ouvi a voz. Eu apostei corrida. Eu ri das curvas mal feitas. Eu ri dos pardais disparados. A vinda pareceu uma perseguição de paparazi, muitos e muitos flashes.
Eu ria e dançava e corria e cantava e lembrava e ria. Dei a ré quando o portão estava aberto até a metade. Eu não queria dormir. A voz ia voltar ao acordar. Subi a rua procurando o celular. Ele não queria dormir também. Marquei outra corrida. Ele aceitou.
Acelerei até o motor ameaçar fundir. Abri todas as janelas para me sentir em uma tempestade. Aumentei ainda mais o volume. Agora, eu estava surda de vez. Os pardais da ida eram tão luminosos quanto os da volta. Eu ria dos flashes. Eles eram os raios da minha tempestade. Eu vi o carro dele. Estava logo depois do sinal. Amarelo, vermelho. "Vou passar." Acelerei. Ao olhar para a direita vejo um ônibus tentando freiar. Ele não conseguiu. Tento acelerar mais. Eu não consegui. Minha porta explode. E eu explodo ao som de Fatboy Slim. As gotas continuavam dançando, mas agora eram só de uma cor. O vermelho escorrendo em tudo.
Eu era uma estagiária. Merecia a dor de cabeça do dia seguinte. Essa vida era bela e uma só. E a minha acabava ali.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
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5 comentários:
loucura, loucura, loucura
E eu vi acontecer.
Ou já fiz acontecer.
A vantagem é que aos vinte e pouco anos temos 7 vidas.
Amora, escreve um livro????? =)
Mwahhhhhhh
Amora, se eu escrever, ta TODO MUNDO F****! Vou contar todas as verdades.
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
1 semana sem textos.
Lamentável.
Sem mais,
Zethi.
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